O governo do primeiro-ministro Sébastien Lecornu seguirá no poder depois da Assembleia Nacional da França rejeitar duas moções de censura nesta 2ª feira (2.fev.2026). A votação permitiu a aprovação definitiva do orçamento nacional para 2026, encerrando um impasse que durava 33 dias desde o início do ano.
A moção apresentada pela esquerda, sem o apoio do Partido Socialista, obteve 260 votos favoráveis, 29 a menos do que o mínimo de 289 necessários para derrubar o governo. Já a 2ª moção, protocolada pelo RN (Rassemblement National), também não alcançou apoio suficiente e foi rejeitada pelo plenário.
A tramitação do orçamento foi marcada por forte tensão política. O governo acionou o artigo 49-3 da Constituição francesa em três ocasiões, mecanismo que permite a aprovação de projetos sem votação direta, salvo se houver aprovação de moção de censura. Ao todo, 6 moções foram apresentadas durante o processo.
Com a aprovação do texto, a França deixa para trás o período em que funcionou sem um orçamento oficial em vigor. Lecornu permanece à frente do governo e continua ocupando Matignon, sede oficial do primeiro-ministro.
“A França tem finalmente um orçamento”, escreveu Lecornu na rede social X. Segundo ele, o texto aprovado contém a despesa pública e não eleva impostos para famílias nem empresas, além de refletir um compromisso construído no Parlamento.

O primeiro-ministro informou que encaminhará o orçamento ao Conselho Constitucional, que irá analisar a conformidade do texto com a Constituição francesa antes de sua promulgação.