A consultoria DataBrasil encontrou dezenas de milhares de indícios de fraudes em auxílios do governo. O Poder360 teve acesso aos dados com exclusividade e confirmou alguns desses casos no Portal da Transparência.
O acúmulo de benefícios de forma ilegal é uma das irregularidades mais comuns. Cadastros feitos em cidades distintas e alterações no CPF e no NIS (Número de Identificação Social) permitem a duplicação de cadastros.
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O infográfico abaixo mostra 3 casos reais de possíveis fraudes encontradas nas bases de beneficiários:

Há também centenas de casos de acúmulos de bolsas estudantis com benefícios federais que levam os recebimentos quase sempre para acima do valor do salário mínimo.
Um beneficiário de Goiatins (TO), por exemplo, recebe o Bolsa Família (R$ 700), o Pé-de-Meia (R$ 200), uma bolsa de ensino superior (R$ 700), uma bolsa permanência (R$ 1.400) e ainda é funcionário do Estado, tendo recebido salário líquido de R$ 1.404,15 para esse cargo em agosto de 2025.
Outro exemplo é de uma estudante da UnB (Universidade de Brasília) que recebeu R$ 1.400 por mês de auxílio permanência da instituição no fim do ano passado e também outros R$ 650 do Bolsa Família. Não há formalmente uma ilegalidade nesse caso porque não se sabe exatamente como é essa composição familiar.
O Poder360 vem mostrando uma série de indícios de problemas na fiscalização de benefícios:
- Sem pente-fino, família pode receber até R$ 3.688 em benefícios
- 1,4 milhão de pessoas omitem cônjuge para receber Bolsa Família
- 7 milhões recebem Bolsa Família há pelo menos 10 anos
- 10 cidades têm mais inscritos no Bolsa Família do que casas
Essas fraudes aumentam o gasto público sem necessariamente diminuir a pobreza. Pode haver casos em que famílias recebem vários benefícios de forma irregular enquanto outras, ainda mais necessitadas, ficam na fila esperando liberação.
O governo tem uma base robusta de informações sobre beneficiários de programas sociais que inclui nome, CPF, endereço, quantidade de pessoas no núcleo familiar, etc. Esses dados poderiam ser cruzados para encontrar irregularidades dos mais variados tipos. Isso não parece estar sendo feito na velocidade ideal, como mostra o infográfico acima.
O QUE DIZ O GOVERNO
O Ministério do Desenvolvimento Social diz ter iniciativas para identificar fraudes, mas não é tão transparente sobre como são tocadas essas iniciativas. Em resposta a um pedido de informação do Poder360 em 2025, o órgão declarou, por exemplo, não cruzar informações de beneficiários com movimentações de cartões de crédito nem com posse de veículos automotores.
“Havendo indícios de fraude, como a prestação intencional de informações falsas ou a omissão de dados relevantes no Cadastro Único, são adotadas as medidas administrativas cabíveis, assegurados o contraditório e a ampla defesa, conforme previsto na legislação vigente”, declarou o governo. Leia a íntegra da nota (PDF – 45 Kb).
O Ministério do Desenvolvimento Social diz que, a depender da fraude identificada, pode haver ajuste, suspensão ou cancelamento do benefício, bem como na apuração de eventuais responsabilidades legais.
Casos de irregularidades podem ser relatados no Disque 121 ou no site fala.br, a ouvidoria do governo federal.
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