A FNCE (Frente Nacional de Consumidores de Energia) criticou o resultado do LRCAP 2026 (Leilão de Reserva de Capacidade), realizado pelo governo federal na 4ª feira (19.mar.2026), e afirmou que a medida pode elevar em ao menos 10% a conta de luz dos brasileiros nos próximos anos.
O leilão, que contratou cerca de 19 GW (gigawatts) de potência –quase integralmente de usinas termelétricas a gás natural, além de projetos a carvão, irá criar um custo anual estimado em até R$ 39 bilhões ao setor elétrico, segundo a frente. Esses valores, na avaliação da FNCE, tendem a ser repassados às tarifas pagas pelos consumidores.
“Ao insistir em beneficiar diversos grupos de geração obrigará os consumidores brasileiros a contratar muito mais do que o necessário fontes de energia mais caras e mais poluentes”, afirmou por meio de nota.
O LRCAP é um mecanismo usado para garantir que o sistema elétrico tenha capacidade disponível para atender à demanda em momentos críticos, como períodos de seca. Nesses leilões, os empreendimentos são remunerados pela disponibilidade de geração, e não apenas pela energia efetivamente produzida.
Para a FNCE, no entanto, o certame teve baixa concorrência e privilegiou fontes mais caras e poluentes. A representação de consumidores afirma que o nível de deságio foi reduzido (13,6%), indicando pouca disputa entre os participantes e preços elevados.
O presidente da frente, , disse que o volume contratado é “excessivo” e criticou a condução da política energética. Segundo ele, o Ministério de Minas e Energia teria cedido à pressão de agentes do setor de geração ao priorizar termelétricas em vez de adotar critérios mais neutros entre fontes.
Afirmou que além dos contratos firmados no leilão, os consumidores ainda terão de arcar com os custos de combustível quando as usinas forem acionadas, o que pode ampliar o impacto nas tarifas. Entre os efeitos indiretos, a FNCE cita pressão sobre a inflação e aumento das emissões de gases de efeito estufa.
Uma nova rodada do LRCAP está agendada para a 6ª feira (20.mar), com foco na contratação de usinas movidas a óleo, o que, segundo a entidade, pode elevar ainda mais os custos do sistema.
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