Galípolo isenta Campos Neto no Master e atrapalha estratégia do PT
O presidente do BC (Banco Central), Gabriel Galípolo, afirmou na 4ª feira (8.abr.2026) que não há auditoria nem sindicância interna que aponte a responsabilidade de Roberto Campos Neto no caso Banco Master.
A declaração contraria a estratégia do PT, que tenta associar o episódio à gestão anterior da autoridade monetária.
Galípolo foi convidado pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado para explicar a atuação do Banco Central no caso Master, o maior escândalo bancário da história do país e que pode culminar em um possível acordo de delação premiada com impacto nos Três Poderes.
“Não há, em nenhum processo de auditoria ou de sindicância, nada que encontre qualquer culpa por parte do ex-presidente Roberto Campos”, disse o presidente do BC.
Assista (33s):
O deputado e ex-líder do partido na Câmara, Lindbergh Farias (PT), reagiu nesta 5ª feira (9.abr.2026). Disse que Galípolo “tentou blindar” Campos Neto, e apontou falhas no controle interno do Banco Central.
“Ao afirmar que não existe auditoria, sindicância ou conclusão interna que aponte responsabilidade do ex-presidente do Banco Central, ele demonstra que o controle interno é insuficiente e pode servir de escudo para proteger quem comandava a instituição quando decisões e omissões favoreceram o ambiente em que o caso Master prosperou”, escreveu no X.
Segundo o petista, alertas de instituições como o Fundo Garantidor de Créditos e a Febraban teriam sido ignorados durante a gestão anterior.
Lindbergh também afirmou que, em outubro de 2023, normas editadas pelo Banco Central permitiram ao Master evitar ajustes no balanço, mesmo diante de riscos de liquidez.
O congressista declarou ter acionado a PF (Polícia Federal) para aprofundar investigações sobre suposta omissão de autoridades e decisões que teriam favorecido o banco.

Discurso abalado
A fala de Galípolo, porém, enfraquece o discurso do PT e também contraria a estratégia do Planalto.
Integrantes do governo defendem partir para o embate e responsabilizar a antiga cúpula do Banco Central pelo ambiente que permitiu a atuação do banco.
A linha passou a ser adotada por nomes graúdos do partido. Em fevereiro, integrantes da Esplanada se referiam ao caso como um “abacaxi” herdado por Gabriel Galípolo.
À época, a então ministra da SRI (Secretaria de Relações Institucionais), Gleisi Hoffmann, disse ao Poder360 que Vorcaro foi preso já sob a atual administração do banco, sem dirigir críticas a Campos Neto. O ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também indicou que o episódio é um problema herdado.
O episódio passou a ser usado pelo PT como argumento para revisar o modelo de independência do BC no Congresso Nacional.
Ao Poder360 nesta 5ª feira (9.abr), o secretário de comunicação do PT, Éden Valadares, afirmou que o partido sempre foi contra a autonomia total do Banco Central. Ele argumenta que a autoridade monetária é autônoma em relação ao governo, mas não em relação ao mercado financeiro.
Embora critique a atual estrutura, disse que o PT respeita o mandato de Galípolo. Ele acrescentou que o partido continuará a debater no Congresso a revisão da autonomia do Banco Central, já que associa as altas taxas de juros ao endividamento das famílias.
CASO MASTER
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025. O fundador da instituição financeira, Daniel Vorcaro, firmou em 19 de março de 2026 um acordo de confidencialidade com a PF (Polícia Federal) e com a PGR que possibilita a delação premiada.
O documento expõe riscos de várias autoridades públicas de Brasília. Esse acordo foi assinado quase 12 meses depois do anúncio de compra pelo BRB (Banco de Brasília), que atualmente tenta se recuperar financeiramente.
O Master foi responsável por rombo recorde no FGC (Fundo Garantidor de Créditos), de quase R$ 52 bilhões, mesmo tendo somente 0,57% do ativo total e 0,55% das captações do sistema financeiro nacional. Também provocou prejuízo de quase R$ 2 bilhões para Estados e municípios nos fundos de Previdência.
AUDIÊNCIA PÚBLICA
O presidente do BC foi convidado pela CPI para explicar a atuação do Banco Central no caso Master. O relator da CPI é o senador Alessandro Vieira (MDB-SE).
Galípolo teve reunião fora da agenda pública no Palácio do Planalto em 4 de dezembro de 2024 com Vorcaro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e outras autoridades. Na época, ele não informou sobre o encontro ao então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.
O presidente do Banco Central falou sobre as investigações que resultaram no rombo bilionário no FGC. Ele foi ouvido na condição de testemunha.
Assista (1h44min):
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