A Citrini Research, empresa norte-americana independente de pesquisa, diz ter enviado um analista à península de Musandam, em Omã, para verificar se o estreito de Ormuz está realmente fechado. O relatório foi publicado no domingo (5.abr.2026) e só está liberado para assinantes da página da empresa na plataforma Substack.
Segundo o relatório, o que o analista afirma ter encontrado vai contra as notícias de que a importante rota petrolífera está efetivamente bloqueada. Ele constatou que as embarcações ainda estão transitando pelo estreito, com o tráfego aumentando nos últimos dias para cerca de 15 navios por dia. Embora muito abaixo dos níveis normais, o fluxo indica que a interrupção é parcial. As informações são da CNBC.
A empresa afirma ter decidido enviar o analista ao local por entender que “a situação no estreito de Ormuz está, no mínimo, confusa”.
Segundo a Citrini Research, o analista tinha a missão de observar em 1ª mão a atividade de navegação com as crescentes tensões entre Irã e Estados Unidos. “Munido de fluência em 4 idiomas, incluindo árabe, uma maleta Pelican repleta de equipamentos, um maço de charutos cubanos, US$ 15.000 em dinheiro e um pacote de Zyn [nicotina], o Analista nº 3 partiu para cumprir o roteiro que havíamos planejado em nossos escritórios em Manhattan na semana anterior”, afirma.
“Quatro ou 5 petroleiros passam por aqui diariamente, completamente sem sinal no AIS [Automatic Identification System]. O volume, segundo eles, é maior do que os dados indicam, e tem aumentado nos últimos 2 dias no canal de Qeshm”, diz a publicação.
O AIS é um sistema de rastreamento de navios que transmite a localização, velocidade, identidade e rota de uma embarcação. A Citrini afirma que o volume real de tráfego marítimo é maior do que os dados divulgados, pois muitos navios desligam seus transponders e ficam “invisíveis”.
Segundo o relatório, entrevistas feitas pelo analista com pescadores, contrabandistas e autoridades regionais indicam para um sistema no qual o Irã permite seletivamente a passagem de navios. Os petroleiros precisam obter aprovação antes de transitar por águas próximas ao território iraniano, criando o que a empresa descreve como um “posto de controle funcional”, em vez de um bloqueio.
A Citrini diz esperar uma interrupção mais prolongada, que resultará em um prêmio de risco permanente nos mercados de petróleo. Essa visão sustenta a preferência por contratos de petróleo bruto com vencimento mais longo, com a empresa favorecendo os contratos de West Texas Intermediate para dezembro de 2026 em relação aos contratos do mês seguinte.
“Acreditamos que a interrupção será mais longa e que o novo normal envolverá um prêmio de risco permanente, mas que provavelmente veremos até 50% do tráfego pré-conflito nas próximas 4 a 6 semanas”, declara.
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