A Hungria bloqueará um empréstimo de 90 bilhões de euros da UE (União Europeia) para a Ucrânia —um não-membro do bloco— até que o país retome o funcionamento do oleoduto Druzhba, considerado uma das maiores vias de escoamento do petróleo russo na Europa. O ministro das Relações Exteriores húngaro, Péter Szijjártó, fez o anúncio na 6ª feira (20.fev.2026) em seu perfil no X.
“A Ucrânia está chantageando a Hungria ao interromper o trânsito de petróleo em coordenação com Bruxelas e a oposição húngara para criar interrupções no fornecimento na Hungria e aumentar os preços dos combustíveis antes das eleições. Ao bloquear o trânsito de petróleo para a Hungria através do oleoduto Druzhba, a Ucrânia viola o Acordo de Associação UE-Ucrânia, descumprindo seus compromissos com a UE. Não cederemos a essa chantagem”, escreveu Szijjártó.

Os fluxos de petróleo pelo oleoduto Druzhba foram interrompidos em 27 de janeiro. A Ucrânia afirma que um ataque de drone russo danificou a infraestrutura do oleoduto.
Hungria e Eslováquia são os únicos países da UE que ainda possuem refinarias utilizando petróleo russo através do Druzhba.
Ambos os países culparam a Ucrânia pela demora no reinício dos fluxos por razões políticas. Budapeste argumenta que o país não está fazendo o suficiente para reparar o oleoduto. O governo ucraniano nega as acusações.
A Hungria emitiu um decreto na 5ª feira (19.fev.2026) determinando a liberação de aproximadamente 1,8 milhão de barris de petróleo bruto de suas reservas estratégicas para compensar a falta de suprimento. A companhia petrolífera húngara MOL terá acesso prioritário às reservas liberadas.
A tensão se dá nas proximidades das eleições na Hungria, a serem disputadas em abril. Viktor Orbán (União Cívica Húngara, direita), primeiro-ministro do país, busca a reeleição e intensifica o impasse com os ucranianos. Ele já chegou a afirmar que “a Ucrânia não é um país soberano”.
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