Indígenas que estão em Brasília para a 22ª edição do ATL (Acampamento Terra Livre) fizeram, nesta 5ª feira (9.abr.2026), a marcha “Demarca Lula: Brasil soberano é terra indígena demarcada e protegida”. O pedido é pelos direitos territoriais e pela vida dos povos indígenas.
O tema do ATL deste ano é “Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós”. O acampamento começou em 5 de abril e vai até sábado (11.abr.2026). Cerca de 7.000 indígenas de mais de 200 povos participam.
A marcha seguiu pela Esplanada dos Ministérios em direção à Praça dos Três Poderes. Houve homenagem a líderes indígenas assassinados na luta pela terra, em diferentes regiões do país.
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Indígenas Marcha em Brasília
O ato visou também a mostrar o agravamento da violência nos territórios e a persistência de conflitos fundiários sem solução.
Segundo a Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil), ao menos 6 propostas consideradas pelos indígenas prejudiciais estão em tramitação no Congresso Nacional:
- PEC 48 (Marco Temporal);
- PDLs contra demarcações (717/2024, 1121/2025, 1126/2025 e 1153/2025);
- PL 6050/2023 (Exploração Econômica de Terras Indígenas);
- PL 6093/2023 (PL do Agro);
- criação no Senado Federal do Grupo de Trabalho de Mineração em Terras Indígenas.
“As ameaças promovidas pelo Congresso Nacional, como a PEC 48, integram uma pauta anti-indígena e anti-ambiental, que busca abrir os territórios indígenas para grandes empreendimentos e flexibilizar o usufruto exclusivo dos povos indígenas”, disse Dinamam Tuxá, um dos coordenadores da Apib.
“Não há soberania sem Terras Indígenas demarcadas e protegidas. Estamos em Brasília para cobrar decisões concretas: há processos prontos, há estudos concluídos e há comunidades esperando. O que falta é vontade política para avançar”, afirma Kleber Karipuna, também coordenador da Apib.
“Que os territórios sejam demarcados, para que as mortes parem de acontecer, e que fazendeiros e latifundiários sejam criminalizados pelas mortes e pelas invasões dos nossos territórios. Isso tem ocorrido por ação desses latifundiários. Nossas terras estão sendo invadidas, negociadas, e nosso bioma está sendo destruído por quem não tem nenhuma responsabilidade nem respeito pela Mãe Terra”, declarou Bruno Tupinambá, líder indígena da Bahia.
Carta aos Três Poderes
Os indígenas endereçaram uma carta aos Três Poderes para cobrar a demarcação.
“Temos a convicção de que, sem a demarcação e a proteção das terras e territórios indígenas, não se pode falar de um país democrático e soberano. Nossos inimigos históricos avançam por diferentes caminhos, praticando crimes para reduzir nossos direitos originários”, afirmou o texto.
Em relação ao Poder Executivo, a carta reconhece avanços, como a criação do Ministério dos Povos Indígenas e ações nas áreas de demarcação, saúde e educação. No entanto, critica a lentidão nos processos de demarcação e cobra medidas concretas para garantir proteção territorial, consulta prévia e respeito à autonomia dos povos. “Esses avanços ainda estão longe do necessário. A demarcação tímida de poucas Terras Indígenas descumpre o compromisso político de garantir todos os nossos territórios”.
O tom do documento eleva quando direcionado ao Congresso Nacional. “Transformaram a casa do povo em uma casa de apostas, querem fazer uma BET do Congresso Nacional, onde os nossos direitos viram moeda de troca entre parlamentares e setores privados, empresas e corporações nacionais e estrangeiras lucram sobre as nossas vidas”, afirmou o texto.
Ao STF (Supremo Tribunal Federal), o documento ressalta o compromisso do sistema de justiça em “zelar” pelo respeito à Constituição Federal, ressaltando a luta dos povos frente ao Marco Temporal e o posicionamento do STF que marcou a tese como inconstitucional.
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