A taxa mensal de inflação acelerou de 0,70% em fevereiro para 0,88% em março, surpreendendo as projeções dos agentes econômicos obtidas pelo Poder360, que esperavam um resultado abaixo de 0,80%. O percentual mais alto está relacionado ao início da guerra no Oriente Médio entre EUA, Israel e Irã.
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou o resultado do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) nesta 6ª feira (10.abr.2026). O resultado foi o maior para o mês de março desde 2022.
Os combustíveis e os alimentos pressionaram o IPCA. Os preços subiram depois da alta na cotação do petróleo no mercado internacional, com a obstrução do estreito de Ormuz.
Leonardo Costa, economista do ASA, disse que o dado de março reforça que os agentes financeiros têm sido surpreendidos pela inflação no curto prazo. Afirmou que parte desse movimento reflete efeitos do cenário externo, mais evidentes em combustíveis.
Ele declarou, porém, que os preços dos alimentos têm sido pressionados com o aumento do frete, efeito secundário da alta do diesel.
“Chama atenção a resiliência dos núcleos de serviços, que seguem operando em patamar elevado no 1º trimestre. Diante disso, a projeção de IPCA para o ano, atualmente em 4,6%, deve ser revisada para cima”, disse Leonardo.
A meta de inflação é de 3%, com tolerância de até 4,5%.

Gabriel Pestana, economista sênior da Genial Investimentos, disse que a surpresa apareceu “de forma disseminada entre os grupos” do IPCA. Estimava alta de 0,75% no mês. Do 0,13 ponto percentual de surpresa, 0,05 ponto percentual veio da gasolina, o que mostra a “vasta contribuição dos combustíveis” na inflação.
Na alimentação, os principais destaques foram a confirmação dos vieses de alta em leite e alimentos in natura, segundo o economista. A surpresa foi disseminada no grupo de alimentos.
“Em conjunto, o IPCA de março reforça a escalada dos combustíveis e aumenta o risco de efeitos indiretos sobre os demais grupos nos próximos meses, especialmente por meio do custo do frete”, declarou.
POLÍTICA MONETÁRIA
Alexandre Maluf, economista da XP, disse que a taxa de 0,88% ficou acima do topo das projeções dos economistas. Declarou que o resultado não deve mudar o plano de voo do Banco Central, mas os agentes financeiros começam a operar com cautela em relação ao futuro da taxa básica, a Selic.
Os juros futuros reagiram com movimentação de alta. Economistas calculam se haverá espaço para cortes mais intensos ou se a tendência é de um juro-base elevado para manter a inflação na meta no horizonte relevante da política monetária.
“É um cenário pior para juros aqui no Brasil e no mundo. A gente discutia um ciclo aqui mais extenso, algumas pessoas achando que poderia chegar a uma Selic mais baixa, perto de 11%. Hoje a discussão é uma Selic muito mais elevada. O nosso cenário é uma Selic de 13,5% ao final deste ano”, disse Maluf.
Em março, o Banco Central disse que a probabilidade de a inflação ficar acima do intervalo da meta de 3% é de 30%. A tolerância é de até 4,5%.
A autoridade monetária disse que os conflitos no Oriente Médio ampliaram as incertezas econômicas e o prolongamento da guerra poderá ter impacto “significativo e duradouro”. Os efeitos possíveis são o enfraquecimento da atividade econômica e o aumento da inflação.
O presidente do BC, Gabriel Galípolo, já disse que é preciso “tempo para entender” os impactos da guerra do Oriente Médio na economia para analisar os próximos passos da política monetária. Citou, também, que é preciso ter “movimentos mais seguros” em período de incerteza, mas que o Brasil tem uma “gordura” por ter mantido os juros em nível elevado em 2025.
O Banco Central reduziu de 15% para 14,75% ao ano a taxa básica, a Selic, utilizada como principal ferramenta da política monetária. A ata do Copom (Comitê de Política Monetária) disse que os próximos passos dependerão da duração do conflito no Oriente Médio.
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