O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça afirmou que há 2 integrantes não identificados da organização criminosa de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, que ainda estão soltos.
“No que concerne especificamente à contemporaneidade dos elevados riscos que essa organização criminosa armada é capaz de causar à ordem pública, deve-se rememorar que de acordo com as apurações policiais a Turma pode ser composta por até 6 membros, ainda não devidamente identificados”, escreveu.
A Turma é o nome do grupo de WhatsApp de Vorcaro com seus funcionários que era utilizado para combinar intimidações a pessoas e organizações que prejudicavam os interesses do Master.
Ainda de acordo com Mendonça, um dos integrantes do grupo, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, chamado de Sicário, estava com “2 potenciais integrantes” da organização no dia em que foi deflagrada a 3ª fase da Operação Compliance Zero.
O grupo foi abordado pela Polícia Rodoviária Federal no quilômetro 871 da BR-381 em veículo de propriedade de Sicário. O carro estava sendo conduzido por um terceiro e “identificaram-se dois potenciais integrantes do núcleo da organização criminosa conhecido como “os meninos”, os quais seriam responsáveis pelas investidas de hackeamento e invasão digital perpetradas pela “Turma”, disse Mendonça. Sicário morreu em 6 de março, após ter morte cerebral declarada durante prisão preventiva.
As informações constam no voto proferido pelo relator do caso nesta 6ª feira (13.mar.2026) durante julgamento em plenário virtual que analisava o referendo da decisão. Eis a íntegra (PDF – 359 kB).
Em seu voto, Mendonça também diz que:
- ainda há 8 celulares de Daniel Vorcaro a serem analisados;
- a polícia “comprovou a prática de atos de ameaças concretas” e que um ex-funcionário de Vorcaro e sua família foram ameaçados de morte;
- o grupo chamado de A Turma, responsável por intimidar adversários do ex-banqueiro, “ainda se apresenta como uma perigosa ameaça em estado latente, pois conta com integrantes que ainda estão à solta”;
- foi encontrada com Luiz Phillipi Mourão, o Sicário (morto em 6 de março), uma arma em situação ilegal.
3ª FASE DA COMPLIANCE ZERO
Vorcaro voltou a ser preso em 4 de março, na 3ª fase da Compliance Zero.
A ordem de prisão partiu de Mendonça. Na decisão (íntegra – PDF – 384 kB), o ministro disse que Vorcaro “manteve atuação direta na condução de estratégias financeiras e institucionais relacionadas à instituição, participando de decisões voltadas à captação de recursos no mercado financeiro e à sua posterior alocação em estruturas de investimento vinculadas ao próprio conglomerado econômico”.
Segundo ele, elementos da investigação indicam que o banqueiro “participou da estruturação de modelo de captação de recursos mediante emissão de títulos bancários com remuneração significativamente superior à média de mercado, direcionando os valores obtidos para investimentos em ativos de maior risco e baixa liquidez, inclusive por meio de fundos de investimento em direitos creditórios nos quais o próprio Banco Master figurava como cotista”.
Segundo a PF, o esquema investigado apresenta 4 núcleos principais de atuação:
- 1 – núcleo financeiro, responsável pela estruturação das fraudes contra o sistema financeiro;
- 2 – núcleo de corrupção institucional, voltado à cooptação de funcionários públicos do Banco Central;
- 3 – núcleo de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro, com utilização de empresas interpostas;
- 4 – núcleo de intimidação e obstrução de Justiça, responsável pelo monitoramento ilegal de adversários, jornalistas e autoridades.
Além de Vorcaro, foram presos:
- Fabiano Zettel, investigado por realizar pagamentos e orientar núcleo de intimidação;
- Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado investigado por participar de grupo de monitoramento de adversários de Vorcaro;
- Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, chamado de Sicário –ele morreu em 6 de março depois de tentar se matar enquanto estava sob custódia da Polícia Federal em Belo Horizonte. A corporação não detalhou o que aconteceu.
O CELULAR DE VORCARO
A quebra do sigilo dos dados telemáticos do fundador do Master identificou que ele mantinha o contato dos telefones e autoridades dos Três Poderes, como 3 ministros do STF; parentes de ministros, como a advogada Viviane Barci de Moraes; 6 congressistas; além de 2 diretores do BC (Banco Central) –autarquia que regula e investiga a instituição.
As mensagens estavam em um dos celulares apreendidos de Vorcaro.
Com base no conteúdo obtido, eis o que se sabe sobre o empresário até o momento:
- Vorcaro e namorada planejaram levar filha de Trump à Sapucaí
- Empresário levava vida de luxo e tinha agenda de negócios cheia
- Fundador do Master acelerou a venda de cobertura de R$ 60 mi no dia em que foi preso
- Tinha contatos salvos de Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e outras autoridades
- Banqueiro disse que Augusto Lima bateu na mulher e casal negou
- Vorcaro discutiu com funcionário pagamentos mensais a site de esquerda
- Empresário se gabou para a então namorada por levar ministros para Londres
- Demonstrava preocupação com cobertura jornalística
- Comprou um barco para a namorada, mas pediu que ela não tirasse fotos
- Sugeriu em mensagens que encontro com Lula foi “ótimo”
- Seu celular tinha o contato de “Vivi Moraes”
- Rueda e Ciro Nogueira voaram em seu helicóptero em SP
- Disse que era “zero” a chance de o BC barrar a venda do Master
- Citou encontro com Hugo Motta e elogiou emenda de Ciro Nogueira
- Sugeriu em mensagens que BTG queria barrar acordo com BRB
- Chamou Jair Bolsonaro de “beócio” e reclamou de post dele sobre Master
- Deu relógio suíço avaliado em R$ 1 mi a Nelson Tanure
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