Há nomes que não são apenas nomes. São destinos em forma de som. São promessas que cabem em poucas sílabas, mas que carregam o peso suave da eternidade. O seu, meu filho, já nasce assim, cheio de história antes mesmo de dar o primeiro suspiro. José, vem do seu bisavô materno (José Pedro da Silva) – meu avô querido, com quem tive a alegria de dividir minha tenra infância, sempre a observá-lo embalando-se em sua cadeira preguiçosa com um cachimbo na mão, olhando para nada, ou talvez, para o tudo. Um mistério que ficará em nossa imaginação.
Manoel, é uma homenagem de sua mãe ao seu avô paterno (Manoel Ferreira Bastos), um cearense alto, de olhos verdes esmeralda, que veio para o Amapá no vigor de sua juventude, desbravar esse então, mundo novo. Bastos, será parte de sua herança genética, meu filho. O qual representa a força e a coragem dos ancestrais de sua mãe, que decidiram atravessar o oceano da costa de Portugal para o nordeste brasileiro. Já Alesi, esse é o legado que você carregará, advindo do seu pai. Quem decidiu romper com as amarras da pobreza e da ignorância, para dar a você, acesso, história e um nome. Portanto, aproveite, desfrute. Vá mais longe do que eu serei capaz de ir, seja honesto, astuto e impetuoso. Que a verdade e a justiça sejam sua coroa de honra – Eu te abençoo!
Escrever sobre você, meu filho, antes de conhecê-lo por inteiro é, ao mesmo tempo, um ato de ousadia e de fé. Ousadia porque ainda não vi seus olhos, não ouvi o seu choro, não senti o peso do seu corpo em meus braços. Fé porque, mesmo assim, eu já o amo com uma intensidade que não se explica.
Existe um instante na vida de um homem em que tudo muda silenciosamente. Não há necessariamente aplausos, nem anúncios grandiosos. É um movimento interno, quase imperceptível aos olhos do mundo, mas absolutamente revolucionário na alma. Esse instante, para mim, começou no dia em que descobri que você existia.
Desde então, o tempo deixou de ser apenas passagem e passou a ser espera. Esperar por você tem sido uma das experiências mais profundas que já vivi. Porque não se trata de uma espera vazia, mas sim, uma espera que constrói, que transforma, que ensina. É como se, a cada dia, eu fosse sendo preparado para ser aquilo que você precisará que eu seja.
Digo que algo de profundamente filosófico na paternidade. Um filho nos confronta com a própria finitude e, ao mesmo tempo, nos oferece uma espécie de continuidade que beira o infinito. É como se a vida dissesse, com delicadeza: “Você não termina em si mesmo”. Você, José Manoel, é a prova viva de que o amor pode se tornar matéria. De que aquilo que começa como sentimento pode ganhar forma, pulsar, crescer, respirar.
Você é, literalmente, a união de dois mundos que decidiram caminhar juntos. O seu corpo carrega o DNA de uma história construída com escolhas, renúncias, sonhos e fé. Você é a soma de afetos. Você é o encontro do que sentimos com o que somos. Há quem diga que um filho é uma extensão da vida dos pais. Mas isso ainda é pouco. Um filho não é apenas continuidade, é multiplicação. É quando a vida deixa de ser linha e passa a ser expansão.
Em você, eu me reconheço e, ao mesmo tempo, me descubro novo.
E talvez seja isso que os grandes poetas tentaram dizer, cada um à sua maneira. Quando se fala de filhos, fala-se de algo que ultrapassa a linguagem comum. Não é à toa que tantos recorreram à poesia para tentar traduzir o indizível. Há versos que ecoam nesse momento, como aquele pensamento universal que atravessa gerações, a ideia de que os filhos não nos pertencem, que eles vêm através de nós, mas não são nossos. Que somos, no máximo, arcos que lançam flechas vivas em direção ao futuro. E, ainda assim, mesmo sabendo disso, o coração insiste em dizer: “é meu filho”.
Ser pai, meu filho, é aceitar viver com o coração fora do próprio corpo. É compreender que haverá alegrias que só existirão por sua causa e medos também. É descobrir uma coragem que antes não era necessária. É aprender que amar alguém é, inevitavelmente, tornar-se vulnerável. Antes de você, eu já tinha sonhos. Agora, eles mudaram de escala. Antes, eu pensava no que eu poderia conquistar. Hoje, penso no que posso construir para você. Antes, eu caminhava por mim. Agora, caminho também por você. E isso não diminui quem eu sou, pelo contrário, amplia.
Enquanto escrevo estas palavras, você ainda não nasceu. E, no entanto, já ocupa espaços que antes estavam vazios dentro de mim. Espaços que eu nem sabia que existiam. Só a ideia da sua chegada já me transformou. E isso me faz pensar sobre o mistério da vida. Como algo tão pequeno pode carregar uma força tão grande? Como alguém que ainda nem falou sua primeira palavra já pode ensinar tanto?
Talvez porque a vida, em sua essência, não precise de linguagem para ser compreendida. Ela se revela no sentir. E eu sinto você. Sinto na ansiedade dos dias que passam mais devagar. Sinto na forma como olho para o futuro com mais responsabilidade. Sinto na maneira como sua mãe e eu nos tornamos ainda mais unidos, como se estivéssemos sendo lembrados, diariamente, do motivo pelo qual escolhemos caminhar juntos.
Você é, sem dúvida, a representação mais clara do nosso amor. Não apenas porque nasceu dele, mas porque o torna visível. Se o amor, muitas vezes, é abstrato, você é a sua forma concreta. Se o amor, às vezes, é dúvida, você é a sua certeza. Se o amor pode ser questionado, você é a resposta.
Há uma beleza imensa nisso!
Há ainda, outra verdade a ser dita, a de que os filhos educam os pais tanto quanto são educados por eles. Pois, você me ensinará paciência. Você me ensinará a ver o mundo com olhos novos. Você me ensinará que a simplicidade pode ser extraordinária. E, acima de tudo, você me ensinará que o amor verdadeiro não exige, ele oferece.
José Manoel Bastos Alesi. Seu nome já carrega história. E você escreverá a sua. Talvez um dia você leia este texto. Talvez em um momento qualquer, em meio às suas próprias descobertas, às suas próprias dúvidas, às suas próprias conquistas. E, quando isso acontecer, eu quero que você saiba de algo simples, mas essencial. Que você foi desejado. Você foi esperado. Você foi amado antes mesmo de existir.
Se a vida, por vezes, parecer confusa, lembre-se, você nasceu de um encontro de amor. Se o mundo parecer duro, lembre-se, você tem um lar onde sempre será acolhido. Se em algum momento você duvidar de si mesmo, lembre-se, você carrega dentro de você a força de duas histórias que se uniram para que você existisse. E, se precisar de um norte, olhe para dentro. Porque ali estará, para sempre, a marca do amor que o trouxe até aqui.
Uma certa vez li num fragmento de jornal, que a paternidade é uma travessia, então eu digo a você, seu nascimento será o início da minha mais importante jornada. E eu sigo. Não como quem sabe tudo, mas como quem ama o suficiente para aprender.
Seja bem-vindo, meu filho.
O mundo ainda não sabe, mas ele está prestes a se tornar um lugar melhor. Porque você está chegando.
De seu pai, com amor.
O post JOSÉ MANOEL BASTOS ALESI – MEU FILHO apareceu primeiro em A Gazeta do Amapá.
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