O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, defendeu que o Rio de Janeiro realize eleições diretas para o governo do Estado, diante da atual situação de instabilidade institucional. Para ele, no entanto, o ideal seria que o pleito ocorresse de forma unificada com o calendário eleitoral regular, em outubro, evitando a realização de duas votações em curto intervalo de tempo.
“Se tiver uma solução que seja constitucionalmente compatível, eu acho que deveria ser eleição direta, mas que seja coincidente”, afirmou Kassab, nesta 5ª feira (9.abr.2026), durante o Latam Energy Week, no Rio.
Na avaliação de Kassab, a realização de um pleito específico para um mandato tampão, seguido por outra eleição poucos meses depois, pode gerar desgaste em um contexto em que o eleitor já demonstra desconfiança em relação à política.
Pela Constituição, a forma de escolha do novo governador depende do tempo restante do mandato. Quando a saída ocorre a mais de 2 anos do fim, a regra prevê eleição direta, com voto da população; se acontece nos 2 últimos anos, a escolha passa a ser indireta, feita pela Assembleia Legislativa.
Atualmente, o governo do Estado está sob o comando interino do presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Ricardo Rodrigues Cardozo, após a renúncia do governador Cláudio Castro (PL), um dia antes do julgamento do TSE que poderia levar à cassação do seu mandato e à inelegibilidade.
Ricardo é o terceiro na linha sucessória, mas assumiu o governo porque Thiago Pampolha, vice-governador, aceitou um cargo no TCE (Tribunal de Contas do Estado) em 2025, e Rodrigo Bacellar, presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), teve o mandato de deputado estadual cassado e está afastado do cargo por decisão do STF.
Kassab sugeriu que, caso haja respaldo jurídico, o presidente do TJ poderia permanecer no cargo até a realização de uma eleição única. “Fica o presidente do Tribunal de Justiça até lá”, disse. Para o presidente do PSD, a prioridade deve ser garantir uma solução que preserve a estabilidade política e a participação do eleitorado.
No mesmo contexto, ele avaliou que o ex-prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), surge como um nome competitivo para o cargo de governador. Segundo ele, o peso eleitoral da capital e a visibilidade da gestão municipal ampliam o alcance político dele em todo o estado.
“O Rio de Janeiro tem uma situação muito peculiar. A capital tem um peso eleitoral muito grande, acima de qualquer cidade no Brasil. Isso dá a ele uma vantagem”, afirmou. Kassab também destacou que a exposição constante de Paes, por meio das redes sociais, contribui para a sua imagem entre os eleitores.
Além disso, o presidente do PSD afirmou que o atual momento político, marcado por críticas às instituições e a preocupação com casos de corrupção, favorece candidatos com experiência administrativa e sem histórico de denúncias. Nesse sentido, defendeu que Paes reúne atributos relevantes para o cargo. “Acho que o Rio de Janeiro merece ter o Eduardo como governador”, disse.
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