A atleta Tifanny Abreu, do Osasco São Cristóvão Saúde, pode não jogar a semifinal da Copa Brasil de Vôlei em Londrina, no Paraná. Formalmente, ela está impedida pela lei municipal 13.770 de 2024, que proíbe a participação de atletas cujo gênero seja identificado “em contrariedade ao sexo biológico de nascimento” em competições que utilizem equipamentos públicos ou recebam subvenção da prefeitura. Leia a íntegra (PDF – 21 kB).
Primeira mulher transgênero do voleibol brasileiro, Tifanny entraria em quadra na 6ª feira (27.fev.2026), às 18h30, contra o Sesc RJ Flamengo. O jogo está marcado para o Ginásio de Esportes Professor Darcy Cortez, o Moringão.
A autora da norma, vereadora Jessica Moreno (PP-PR), conhecida como “Jessicão”, protocolou nesta 5ª feira (26.fev) um requerimento na Câmara Municipal de Londrina exigindo que o prefeito Tiago Amaral (PSD-PR) aplique a legislação. Os vereadores aprovaram.
A proposta passou pelo Legislativo em 2024, mas o então prefeito Marcelo Belinati (PP-PR) recusou-se a sancioná-la. Diante da omissão do Executivo, o projeto retornou à Câmara e foi promulgado pelo presidente da Casa, vereador Emanoel Gomes (Republicanos-PR), em 26 de abril de 2024.
Em nota, a CBV (Confederação Brasileira de Voleibol) afirmou que Tifanny está legalmente inscrita e cumpre os critérios de elegibilidade para atletas trans estabelecidos pela federação. A entidade declarou que está adotando “todas as medidas legais cabíveis” para garantir a participação da atleta na partida.
O Poder360 entrou em contato com o Osasco e com a assessoria de Tifanny para perguntar se gostariam de se manifestar sobre a proibição municipal. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
Disputa na Câmara Municipal
O requerimento de Jessicão provocou discussão na sessão desta 5ª feira (26.fev). A vereadora afirmou que o prefeito Tiago Amaral pode responder por improbidade administrativa caso não revogue o alvará do evento ou permita a presença da jogadora em quadra. “Acreditamos que a lei municipal está acima da federação”, disse.
Em resposta, a vereadora Paula Vicente (PT-PR) classificou a lei como inconstitucional e transfóbica. Ela afirmou que o texto mistura conceitos de orientação sexual e identidade de gênero. “Negar a identidade de gênero de uma mulher trans, chamando-a de jogador ou de homem, é crime de transfobia”, afirmou a vereadora. Paula Vicente informou que seu partido ingressará com uma ação na Justiça para obter uma liminar (decisão provisória) que suspenda os efeitos da lei.
O Poder360 também questionou a Prefeitura de Londrina, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
Esta reportagem foi produzida pelo trainee em Jornalismo do Poder360 Vitor Struck, sob a supervisão do editor-assistente Lucas Fantinatti.
Powered by WPeMatico
