O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o Brasil mantém o apoio à candidatura da ex-presidente do Chile à secretaria-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), em conjunto com o México.
Em publicação feita no X neste sábado (28.mar.2026), o presidente disse que Bachelet é “altamente qualificada, com o melhor currículo para a função”. Foi presidente do Chile por 2 mandatos, dirigiu 2 órgãos da ONU e conhece a dinâmica interna dos secretariados. “Ela tem todas as credenciais para ser a primeira mulher latino-americana a liderar a organização, promovendo a paz, fortalecendo o multilateralismo e recolocando o tema do desenvolvimento sustentável no centro da agenda internacional”, escreveu o petista.

ENTENDA
O presidente chileno José Antonio Kast (Partido Republicano, direita) retirou o respaldo do próprio país à ex-chefe de Estado na 3ª feira (24.mar). O apoio triplo à postulação havia sido definido durante o governo de Gabriel Boric, aliado de Bachelet. Com a posse de José Antonio Kast em 11 de março, houve mudança na posição do governo chileno.
O cargo atualmente é ocupado por António Guterres. Caso Bachelet mantenha a candidatura, o Chile informou que adotará posição neutra, em respeito à trajetória da ex-presidente.
Hoje há 4 candidatos à secretaria-geral. Três são latino-americanos: Bachelet; Rafael Mariano Grossi, argentino que dirige a Agência Internacional de Energia Atômica; e Rebeca Grynspan, ex-segunda vice-presidente da Costa Rica. O ex-presidente do Senegal, Macky Sall, aparece como possível candidato africano.
A retirada do apoio chileno cria uma dificuldade política real para Bachelet. Seus adversários poderão usar isso contra ela, mas não há impedimento jurídico. Bachelet pode ainda ser eleita sem o respaldo de Santiago.
O processo não passa pela Assembleia Geral. A decisão será tomada pelo Conselho de Segurança, onde EUA, China e Rússia têm poder de veto.
Pequim sinalizou que só apoiará uma candidata latino-americana se ela tiver consenso do próprio país. Bachelet não tem.
O Brasil reconhece o obstáculo, mas avalia que o processo ainda está no início –os debates entre candidatos em Nova York devem começar em abril– e que outros concorrentes também enfrentarão problemas com integrantes permanentes do Conselho.
O argentino Rafael Grossi, indicado por Javier Milei, enfrenta o ceticismo de China e Rússia. Como diretor da agência nuclear, foi ambíguo durante os ataques de Israel ao Irã, e sua proximidade com Washington pesa negativamente para os 2 países.
Powered by WPeMatico
