O Banco Master –em conjunto com o Will Bank e Banco Pleno– foi responsável pelo rombo recorde no FGC (Fundo Garantidor de Crédito), de quase R$ 52 bilhões, mesmo tendo somente 0,57% do ativo total e 0,55% das captações do sistema financeiro nacional. O prejuízo foi maior que o lucro líquido recorrente de cada um dos principais bancos listados na B3 (Bolsa de Valores de São Paulo).
O FGC tem que custear R$ 51,8 bilhões aos investidores do Master. Esse valor foi maior que o lucro líquido recorrente do Itaú, do Bradesco, do Banco do Brasil e do BTG. Eis o resultado contábil dos principais bancos listados na B3:
- Itaú: R$ 46,8 bilhões;
- Bradesco: R$ 24,6 bilhões;
- Banco do Brasil: R$ 20,7 bilhões;
- BTG: R$ 16,7 bilhões
Até 4ª feira (25.mar.2026), o FGC tinha pagado R$ 39,2 bilhões do total aos credores do Banco Master e R$ 124,7 milhões aos do Will Bank. Iniciou o pagamento de garantia aos investidores do Banco Pleno: R$ 2,5 bilhões.
Os 6 maiores rombos bancários somaram R$ 141,9 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito. O caso Master representou 37% deste total. As empresas ligadas a Daniel Vorcaro deixaram um prejuízo 58% maior do que o 2º colocado, o Banco Nacional, que teve impacto de R$ 32,8 bilhões em 1995, em valores corrigidos pela inflação.

O rombo provocado por Master, Will Bank e Pleno no FGC criou um alerta ao sistema bancário brasileiro, ao expor fragilidades na relação entre risco individual e proteção sistêmica. Apesar do baixo volume de ativos, as empresas ligadas Vorcaro vão pegar um valor desproporcional à sua participação de mercado. Esse descolamento demonstra que empresas pequenas podem produzir impactos amplificados quando operam com estruturas de captação agressivas ou concentrações de risco mal precificadas.
O efeito imediato recai sobre o próprio FGC, mecanismo essencial de confiança para investidores e depositantes. O fundo precisará mobilizar recursos –direta ou indiretamente provenientes dos bancos associados– o que tende a elevar o custo do sistema como um todo.
Os bancos fizeram um aporte extra de R$ 32,5 bilhões no FGC (Fundo Garantidor de Créditos) até 25 de março de 2026. A decisão foi aprovada pelo conselho de administração do fundo para reforçar o caixa da entidade depois de pagamentos relacionados à liquidação do Banco Master.
O caso Master provocou prejuízo de quase R$ 2 bilhões para Estados e municípios nos fundos de Previdência. O Ministério da Previdência Social disse que 18 Regimes Próprios de Previdência Social de Estados e municípios aplicaram R$ 1,867 bilhão em letras financeiras emitidas pelo Banco Master de outubro de 2023 a dezembro de 2024.
Entre os RPPS com valores mais elevados aplicados, destacam-se a Rioprevidência (RJ), com R$ 970 milhões (quase metade do total), o Amprev (Estado do Amapá), com R$ 400 milhões, e o regime de Maceió (AL), com R$ 97 milhões.
CASO MASTER
O Banco Master teria vendido títulos podres para o BRB, o que culminou nas investigações e liquidação extrajudicial anunciada em novembro pelo BC (Banco Central). A autoridade monetária enviou um relato ao MPU (Ministério Público da União) em julho com os primeiros detalhes sobre as irregularidades.
O presidente do BC, Gabriel Galípolo, disse que a autoridade monetária teve “dúvidas” em janeiro e obteve “evidências” das irregularidades em março de 2025. O diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, declarou que a autoridade monetária só conseguiu ter “certeza” das fraudes em 27 de junho de 2025.
A 1ª operação da Polícia Federal só foi realizada em 18 de novembro de 2025. Vorcaro foi solto em 28 de novembro e preso novamente em 4 de março deste ano após nova operação.
A PF apurou que Vorcaro pagou propina a funcionários do Banco Central para favorecer o Master. Dois foram afastados. Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana são suspeitos de facilitar interesses do Master na autoridade monetária. A CGU (Controladoria-Geral da União) também instaurou processos administrativos disciplinares.
Paulo Sérgio Souza foi diretor de Fiscalização do Banco Central de 2017 a 2023, durante os governos Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro(PL), sendo indicado pelos 2 ex-presidentes para o cargo. É alvo de investigações da PF por fornecer informações privilegiadas para Daniel Vorcaro. Belline e Souza atuavam no Desup (Departamento de Supervisão Bancária) e foram afastados dos cargos em 4 de março deste ano.
Galípolo disse que o Banco Central está em momento de “luto” e que o sentimento é de “consternação” pelo caso Master.
Powered by WPeMatico
