O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou nesta 6ª feria (6.mar.2026) a abertura de um inquérito para investigar o vazamento das informações do celular do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro. Relator do caso Master na Corte, Mendonça também determinou que a CPMI (Comissão Mista Parlamentar de Inquérito) do INSS devolva todos os dados sobre a quebra de sigilo para a Polícia Federal. Leia a íntegra (PDF – 179 KB)
Na decisão, o ministro afirmou que o compartilhamento da quebra de sigilo não autoriza o vazamento das informações por integrantes da CPI. “Bem ao contrário, enseja, pela autoridade que recebeu a informação de acesso restrito, a responsabilidade pela manutenção do sigilo. Isso porque, a toda evidência, a eventual quebra de sigilo não torna públicas as informações acessadas“, declarou.
Na manhã desta 6ª feira (6.mar), a defesa de Vorcaro afirmou que pediria ao STF a instauração de um inquérito criminal para “sucessivos vazamentos de informações sigilosas”. Os advogados declaram que sequer tiveram acesso aos dados colhidos pela quebra de sigilo dos celulares do empresário.
“Conversas íntimas, pessoais e que expõem terceiros não envolvidos com os fatos, além de supostos diálogos com autoridades e até o ministro do STF, Alexandre de Moraes, talvez editadas e tiradas de contexto, têm sido divulgadas para os mais diversos órgãos de comunicação”, disse a defesa em nota.
O CELULAR DE VORCARO
A quebra do sigilo dos dados telemáticos do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, identificou que ele mantinha o contato dos telefones e autoridades dos Três Poderes como 3 ministros do STF; parentes de ministros, como a advogada Viviane de Moraes; 6 congressistas; além de 2 diretores do BC (Banco Central) – autarquia que regula e investiga o Master.
As mensagens, interceptadas pela PF (Polícia Federal) e às quais o Poder360 teve acesso, estavam no celular de Vorcaro, apreendido pela corporação na operação Compliance Zero.
Com base no conteúdo obtido, eis o que se sabe sobre o empresário até o momento:
- Vorcaro e namorada planejaram levar filha de Trump à Sapucaí;
- Empresário levava vida de luxo e tinha agenda de negócios cheia;
- Fundador do Master acelerou a venda de cobertura de R$ 60 mi no dia em que foi preso;
- Tinha contatos salvos de Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e outras autoridades;
- Banqueiro disse que Augusto Lima bateu na mulher e casal negou;
- Vorcaro discutiu com funcionário pagamentos mensais a site de esquerda;
- Empresário se gabou para a então namorada por levar ministros para Londres;
- Demonstrava preocupação com cobertura jornalística;
- Comprou um barco para a namorada, mas pediu que ela não tirasse fotos;
- Sugeriu em mensagens que encontro com Lula foi “ótimo”;
- Seu celular tinha o contato de “Vivi Moraes”;
- Rueda e Ciro Nogueira voaram em helicóptero seu helicóptero em SP;
- Disse que era “zero” a chance de o BC barrar a venda do Master
- Citou encontro com Hugo Motta e elogiou emenda de Ciro Nogueira;
- Sugeriu em mensagens que BTG queria barrar acordo com BRB;
- Chamou Jair Bolsonaro de “beócio” e reclamou de post dele sobre Master;
- Deu relógio suíço avaliado em R$ 1 mi a Nelson Tanure.
A DECISÃO DE MENDONÇA
Na manhã da 4ª feira (4.mar), antes da divulgação das mensagens, os agentes da PF iniciaram a 3ª fase da Operação Compliance Zero, que resultou no retorno à prisão preventiva de Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel. Também foram presos 2 funcionários do empresários, investigados por monitorar e intimidar adversários de Vorcaro.
A nova fase foi autorizada pelo relator do caso no STF, ministro André Mendonça, que acolheu o relatório da PF para decretar a prisão dos 4 investigados. Segundo o despacho de Mendonça, a investigação do caso indica que Vorcaro emitia “ordens diretas” de atos de intimidação contra pessoas como “concorrentes empresariais, ex-empregados e jornalistas” que prejudicariam os interesses do Master.
O ministro também declarou que foram identificados registros de que o empresário teve “acesso prévio” a informações “relacionadas à realização de diligências investigativas”. Leia a íntegra da decisão (PDF – 384 kB).
Na decisão, o ministro também discordou do parecer da PGR (Procuradoria Geral da República), que disse não haver indicadores de perigo iminente que indicassem a necessidade de uma intervenção com medidas cautelares contra o grupo. A PGR comandada por Paulo Gonet declarou que “não pode ser favorável aos pedidos cautelares, não podendo aboná-los”.
Mendonça rebateu a tese em sua decisão ao declarar que “lamenta” a posição da Procuradoria. Para o relator do caso no STF, havia indícios robustos de crimes contra a “integridade física e moral de cidadãos comuns, de jornalistas e até mesmo de autoridades públicas”. O ministro também cita os indicativos de “ter havido acesso indevido” aos sistemas sigilosos da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até mesmo de organismos internacionais como a Interpol.
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