O FBI prendeu na 4ª feira (8.abr.2026) Courtney Williams, 40 anos, veterana do Exército dos Estados Unidos que morava em Wagram, na Carolina do Norte. Ela é acusada de transmitir informações sigilosas de defesa nacional a pessoas sem autorização, incluindo um jornalista. Segundo comunicado do Departamento de Justiça, um grande júri federal apresentou a acusação com base no artigo 793(d) da Lei de Espionagem dos EUA.
De acordo com os documentos citados pelo FBI, Williams trabalhou de 2010 a 2016 em uma unidade militar especial do Exército dos EUA, identificada só como SMU (Special Military Unit), e tinha credencial de segurança Top Secret/SCI (Sensitive Compartmented Information). Ainda segundo o FBI, ela recebeu treinamento sobre o manuseio, a proteção e o armazenamento de material classificado e assinou um acordo de confidencialidade que reconhecia a possibilidade de responsabilização criminal em caso de divulgação indevida.
A investigação afirma que, de 2022 a 2025, Williams manteve contato frequente com um jornalista por telefone e mensagens de texto. Segundo o FBI, foram mais de 10 horas de ligações e mais de 180 mensagens trocadas. Em uma delas, o jornalista se identificou como tal e disse buscar informações sobre a unidade militar para uma reportagem e um livro. O FBI diz que, depois dessas conversas, foram publicados um livro e um texto que citavam Williams como fonte e atribuíam a ela declarações com informações classificadas de defesa nacional. O órgão também afirma que ela fez divulgações não autorizadas em suas redes sociais.
Ainda segundo o FBI, no dia da publicação do artigo e do livro, Williams disse para um jornalista que estava “preocupada com a quantidade de informação classificada sendo divulgada”. Em mensagens a terceiros, afirmou que poderia ser presa por revelar informação sigilosa, citou um dispositivo da Lei de Espionagem e escreveu que “provavelmente” iria “para a prisão perpétua”.
O The Guardian e o Politico afirmam que, embora o jornalista não seja identificada na denúncia, os detalhes do caso coincidem com o trabalho do repórter investigativo Seth Harp sobre Fort Bragg, base na Carolina do Norte associada à Força Delta, unidade de operações especiais do Exército dos EUA. De acordo com os 2 veículos de mídia, Harp entrevistou Williams para o livro “The Fort Bragg Cartel” e para uma adaptação publicada pelo Politico.
O Guardian afirmou que Williams trabalhou como custodiante de documentos sensíveis, incluindo passaportes falsos usados por agentes infiltrados, e que ela relatou assédio sexual e discriminação no ambiente de trabalho. Segundo o jornal, Harp negou ter recebido dela material classificado e afirmou que o pendrive citado pela investigação continha uma queixa pública apresentada à EEOC, órgão que trata de denúncias de discriminação no trabalho.
O Politico disse que a acusação envolve a divulgação de “táticas, técnicas e procedimentos” da unidade militar, classificados como secretos. O veículo também afirma que Williams compareceu à Justiça federal na 4ª feira (9.abr), que a acusação inicial estabelece pena máxima de 10 anos de prisão e que promotores pediram que ela permanecesse detida até nova audiência.
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