O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), afirmou nesta 4ª feira (8.abr.2026) que houve um “mal-entendido” na declaração do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), sobre uma suposta desistência do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de enviar um projeto de lei contra o fim da escala de trabalho 6 X 1.
Na 3ª feira (7.abr), Motta disse que o governo Lula desistiu de enviar o projeto de lei próprio com urgência constitucional. “O governo não mais enviará, segundo o líder do governo, o projeto de lei com urgência, pactuando assim o entendimento já feito e determinado por essa presidência de que nós iremos analisar a matéria por projeto de emenda à constituição”, afirmou Motta a jornalistas.
O líder afirmou que ficou “constrangido” com a fala de Motta e que a interpretação do presidente da Casa decorreu de uma fala genérica durante reunião de líderes e não de um acordo formal. “O presidente comentou um possível cronograma, mas não houve decisão de que o governo desistiria de enviar o projeto”, disse Uczai aos jornalistas.
A bancada do PT defende uma proposta mais enxuta, com jornada de 40 horas semanais, escala 5 X 2 e sem redução salarial.
Segundo Uczai, a bancada petista mantém a defesa de que o governo Lula encaminhe um projeto com urgência constitucional por duas razões. O deputado argumenta que, diferentemente de uma PEC, o projeto de lei teria tramitação mais rápida — de até 45 dias — e permitiria maior previsibilidade no Congresso. O outro motivo é que tramitar uma PEC em ano eleitoral tem “muitos interesses em jogo que podem desvirtuar a proposta”.
“Existe o risco de compensações porque tem setores que vão ter prejuízo e que precisam compensar. O que pode abrir a porteira, como foi da desoneração da Folha que foi para 17 setores na época, foi escancarado“, declarou.
O petista disse que há preocupação de que a PEC desvirtue o texto e colocar a responsabilidade em um ano que precisa “cuidar” da política fiscal. “Estamos em guerra, como que vai colocar redução tributária ou buscar compensação tributária para alguns setores?”, questionou.
O deputado declarou que a posição do partido vem sendo defendida desde fevereiro e que cabe agora ao governo decidir se enviará ou não o projeto ao Congresso. Uczai pretende se reunir com integrantes do governo nesta 4ª (8.abr.) para conversar sobre o assunto.
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