A secretária-geral adjunta e diretora jurídica da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol), Montserrat Jiménez, afirmou nesta 3ª feira (14.abr.2026) que a aplicação de multas financeiras não é uma medida eficaz para combater o racismo nos estádios.
Segundo a diretora, a punição não inibe os atos discriminatórios porque o custo recai sobre as equipes, e não sobre os indivíduos infratores. A declaração foi feita durante o 2º dia de um seminário da confederação, realizado em Luque (Paraguai).
“O torcedor adora, porque é o clube que paga a multa. Quem paga a multa é o time, porque ele é responsável pelo comportamento dos seus torcedores”, disse.
Jiménez defende que a única forma de erradicar a violência e a discriminação é por meio da educação. Ela avalia ainda que o valor integral arrecadado com as multas deva ser destinado a um fundo educativo contra o racismo.
NÚMEROS DA DISCRIMINAÇÃO
Os dados apresentados pela Conmebol indicam um cenário constante de casos de racismo nos registros recentes da confederação. Nos anos de 2023, 2024 e 2025, a entidade contabilizou 18 casos anuais de racismo. As punições aplicadas variaram de US$ 1,28 milhão a US$ 1,58 milhão.
No período acumulado de 2018 a 2025, houve incidentes de racismo em 75 das 4.451 partidas organizadas pela entidade. A quantidade representa 1,68% do total de jogos. Jiménez disse que a repercussão midiática e a quantidade de comentários sobre esses casos superam de forma expressiva a proporção das ocorrências.
Apesar de a taxa ser inferior a 2%, Jiménez afirmou que a meta da organização é que não haja nenhum jogo com episódios de discriminação por raça ou orientação sexual. A diretora da Conmebol avaliou que os 18 casos anuais registrados em 650 partidas causam indignação, e que no cenário atual existe uma mudança de postura dos atletas, que estão mais encorajados a formalizar as denúncias.
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