O deputado federal Marcos Pereira (Republicanos-SP), presidente do partido, afirmou que não é o momento para debater a escala 6 X 1. Em entrevista à Folha de S.Paulo, ele classificou o tema como sensível para um ano eleitoral. “Poderia se debater em outro momento, mas em ano eleitoral é muito sensível, porque expõe a Casa”, disse, em referência à Câmara dos Deputados.
Pereira disse ter comunicado ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), sua contrariedade ao tema. Segundo ele, Motta justificou o envio da proposta à CCJC (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania) com o argumento de que era preferível que a Câmara tomasse a iniciativa antes do governo federal. “Se eu não fizer, o governo vai fazer, então é melhor que a Casa tome o protagonismo”, teria dito Motta, segundo o deputado.
Pereira também disse ter se surpreendido “um pouco” com a comparação feita por Motta entre a PEC da escala 6 X 1 e marcos históricos como a criação da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e o fim da escravidão. Para ele, a legislação trabalhista brasileira tem problemas estruturais que prejudicam a competitividade do país. “É só comparar com os países com pleno emprego e economia mais pujante. A gente tem um abismo”, afirmou.
O congressista argumentou que as nações que já adotaram jornadas reduzidas –como Alemanha, Finlândia, Islândia e Noruega– têm, em sua maioria, alto índice de desenvolvimento humano e renda per capita elevada e que a realidade econômica brasileira não permite a mesma comparação.
Questionado sobre se considera a demanda popular por mais tempo livre válida, Pereira afirmou que “quanto mais trabalho, mais prosperidade”. O deputado defendeu que trabalhadores de baixa renda não teriam como aproveitar o tempo livre e ficariam “mais expostos a drogas, a jogos de azar”. “Qual é o lazer de um pobre numa comunidade? Ou num sertão lá do Nordeste?”, questionou.
Pereira também rejeitou o argumento de que o convívio familiar seria uma forma de lazer. “Será que eles ficam [com os familiares]?”, indagou. A sociedade brasileira “não funciona dessa maneira”, acrescentou.
Eleições 2026
Pereira avaliou a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. Para ele, Flávio ocupou o vácuo na direita e já parte com vantagem em relação a outros candidatos. “Se o Bolsonaro apoiar você, você já sai com 20%. E tem 15% de antipetismo, aí já vai a 35%. Ele já está no 2º turno”, avaliou.
O deputado criticou o estilo de articulação política da família Bolsonaro. Segundo ele, o PL definiu a chapa inteira para o Rio de Janeiro na 3ª feira (24.fev) sem consultar o Republicanos. “Isso distancia”, afirmou.
Pereira disse que Flávio o convidou para um jantar com presidentes de partido no dia seguinte ao anúncio da pré-candidatura. Após confirmar presença, o deputado não recebeu mais resposta. “Quem tem que buscar é ele, eu não tenho dificuldade de aguardar. Quem tem tempo não tem pressa, eu tenho tempo, não sou o candidato”, disse.
Para Pereira, Flávio “talvez esteja pensando” que repetirá o desempenho do pai, que venceu a eleição sem apoio partidário. “Mas o Brasil hoje está em um momento diferente”, avaliou.
Sobre eventual apoio do Republicanos a Flávio Bolsonaro ou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026, Pereira afirmou que só iniciará a discussão após 15 de abril, quando termina o prazo da janela partidária.
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