O tráfego marítimo no estreito de Ormuz voltou a registrar movimentação na manhã desta 4ª feira (8.abr.2026), depois do anúncio de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. Monitoramento de plataformas de rastreamento naval indica retomada parcial das travessias, ainda longe do ritmo normal.
Levantamento feito por volta das 8h (horário de Brasília) no VesselFinder mostra embarcações em circulação na passagem entre o golfo Pérsico e o golfo de Omã. Ao mesmo tempo, há concentração relevante de navios ancorados ou em deslocamento lento na região. O padrão do tráfego indica maior fluxo de saída do golfo do que de entrada, movimento associado a operações cautelosas depois de semanas de restrição.
Outro monitoramento, divulgado pela plataforma MarineTraffic no X, aponta que os movimentos de embarcações no estreito de Ormuz começaram a ser retomados depois do anúncio da trégua, que inclui a reabertura temporária da hidrovia para negociações. Segundo os dados, centenas de navios permanecem na região, entre eles 426 petroleiros, 34 embarcações de gás liquefeito de petróleo e 19 navios de gás natural liquefeito —muitos retidos durante a interrupção do tráfego.
A plataforma também registrou travessias na madrugada desta 4ª feira. O cargueiro grego NJ Earth cruzou o estreito às 5h44 (horário de Brasília). Já o navio Daytona Beach, com bandeira da Libéria, fez a travessia às 3h59, depois de deixar o porto de Bandar Abbas, no Irã, às 2h28. Os registros indicam que há circulação no estreito, mas ainda limitada.
A retomada ocorre depois de mais de 1 mês de forte redução no fluxo. Ao menos 4.000 navios deixaram de cruzar o estreito de Ormuz no período, o que representa uma queda de 97% no tráfego. A passagem marítima concentra cerca de 20% do petróleo transportado no mundo, além de gás natural e ureia, o que amplia o impacto de qualquer restrição.

No domingo (5.abr), o Irã já havia autorizado a travessia de 15 embarcações, em 1 sinal inicial de flexibilização. Na 3ª feira (7.abr), o país confirmou uma trégua de 14 dias e disse que o estreito seria liberado durante o período.
Na mesma data, análise da Citrini Research indicava que havia retomada gradual do fluxo no estreito de Ormuz, com cerca de 15 navios por dia cruzando a região —patamar ainda distante do normal, mas suficiente para indicar funcionamento parcial da rota.
O movimento também teve reflexo no mercado de energia. Na madrugada de 3ª feira (7.abr), o barril do petróleo Brent superou US$ 111 em meio às ameaças do presidente Donald Trump (Partido Republicano). Depois do anúncio do cessar-fogo, os preços recuaram, com o petróleo sendo negociado abaixo de US$ 100, acompanhando a expectativa de reabertura da via marítima.
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