O filme de animação chinês “Ne Zha 2“ ultrapassou “Titanic” para se tornar o 4º filme de maior bilheteria global da história, segundo dados divulgados na 4ª feira (8.abr.2026) pela plataforma de venda de ingressos Maoyan.
A receita mundial de bilheteria do filme alcançou US$ 2,27 bilhões até data, levando-o a ultrapassar o épico de 1997 de James Cameron.
Assista ao trailer (1min30s):
O FILME
O 1º filme contou a história de Ne Zha, um garoto que recebe poderes de uma pedra maligna em seu nascimento e é excluído de sua vila. Foi lançado em 2019 e também teve bons resultados nas bilheterias: US$ 726 milhões –foi a 12ª maior bilheteria global daquele ano. A história de Ne Zha tem diversas referências à cultura e mitologia chinesa. Também dá toques de modernidade ao universo do filme, como, por exemplo, portais que se abrem com reconhecimento facial.
O jovem Ne Zha enfrenta novos desafios nessa sequência. Entre os inimigos está sua luta interna para encontrar seu lugar no mundo e confrontar seu destino. A produção tem cenas de ação e temas existenciais. Acabou atraindo a atenção do público jovem chinês, que se identificou com as batalhas internas e externas de Ne Zha.
“Ne Zha 2” conta uma saga conhecida como “Fengshen Yanyi”, ou a “criação dos deuses”, um romance histórico da dinastia Ming (1368-1644). O filme é baseado na lenda chinesa de Ne Zha, uma personagem mitológica que nasceu de um ovo e foi destinada a trazer destruição. O menino, entretanto, acaba se tornando um herói que luta contra as forças do mal.
REFERÊNCIAS CONTRA OS EUA
Segundo o China Academy, “Ne Zha 2” pode ser interpretado como um filme contra os norte-americanos, pois apresenta algumas referências que colocam o país hoje comandado por Donald Trump (Partido Republicano) como os vilões da narrativa.
Os totens utilizados por seguidores do vilão da história têm um design similar ao emblema nacional dos EUA. Esse totem garante ao seu usuário o status de “imortal”, a classe que se apresenta como a mais virtuosa, mas que, na realidade, carrega uma série de preconceitos e busca impor suas vontades mesmo às custas de vidas inocentes.
À esquerda, o emblema dos “imortais” (“o mal”) apresentado no filme “Ne Zha”, e, à direita, o escudo nacional dos EUA
O filme foi lançado antes de o governo norte-americano iniciar uma guerra comercial contra a China por meio do que a Casa Branca chama de tarifas recíprocas, mas as referências ecoaram ainda mais forte entre os chineses após a série de medidas tomadas por Trump, às quais o governo chinês classifica como “bullying” econômico.
A animação foi recebida como uma forma de sumarizar o sentimento nacionalista chinês contra o que vem sendo chamada de ameaça norte-americana.
“Este texto foi publicado originalmente pela Xinhua, em 9 de abril de 2026. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, foi adaptado para o padrão do Poder360 e recebeu informações complementares”
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