Ponte Jornalista Phelippe Daou, em Manaus, completa 10 anos

Ponte Jornalista Phelippe Daou, em Manaus, completa 10 anos
Para quem mora no Distrito Cacau Pirêra, ponte facilitou serviços, como distribuição de energia e internet, além de melhorar o socorro a moradores doentes. G1 visita o distrito de Cacau Pirêra, em Iranduba

A Ponte Jornalista Phellipe Daou, também conhecida como Ponte Rio Negro, completa 10 anos neste domingo (24) - mesmo dia em que a capital Manaus também celebra seus 352 anos. A estrutura da Ponte, que tem cerca de 3,5 km, foi pensada para facilitar o transporte da população e o escoamento da produção dos municípios de Iranduba, Manacapuru e Novo Airão.

Para comemorar o aniversário da ponte, que já virou um dos principais pontos turísticos e cartões postais do estado, o g1 esteve em Iranduba para descobrir o quanto a estrutura proporcionou mudanças na vida de moradores da região metropolitana.

Ponte já foi alvo da ação de grupos criminosos que furtam cabos de iluminação.

Matheus Castro/g1

Para o diretor-presidente de uma cooperativa de rádiotaxi de Iranduba, Glicy Braga, a ponte representa o progresso tão esperado pelo município e pelos moradores da Calha do Rio Solimões.

"A ponte foi um projeto fantástico tendo em vista que era um sonho do município e do povo que vive na calha do Solimões, porque trouxe benefícios. Mas também teve malefícios. Com o progresso, tudo cresce, como a criminalidade. A criminalidade aumentou e a gente não tem um serviço muito eficaz de segurança. A onda de crimes cresceu no Iranduba e o nosso serviço ficou ameaçado, temos profissionais amedrontados e clamamos às autoridades por mais segurança".

Ponte foi inaugurada há 10 anos.

Matheus Castro/g1

O dirigente também explicou que houve uma invasão de carros clandestinos em Iranduba, que fazem o serviço similar ao realizado pela cooperativa. Com isso, a categoria perdeu quase 50% do mercado que conseguia atender anteriormente.

"Hoje a gente começa a trabalhar por volta das 4h e vamos até 23h, mas por conta da segurança, muitos motoristas não gostam de rodar à noite. Temos 30 carros e a gente trabalha com o efetivo total todo dia, mas com essa invasão de táxis de Manaus e de carros clandestinos houve uma perda de 50% da nossa atividade".

Dirigente de cooperativa de taxistas fala sobre problemas relacionados à segurança pública.

Matheus Castro/g1

Pequenos comerciantes

No distrito do Cacau Pirêra, antes da ponte, desembarcavam as balsas que ligavam Manaus à região metropolitana. O antigo sistema de transporte foi desativado e os comerciantes que trabalhavam na área para atender a demanda de consumo trazida pelos visitantes da capital vivem um momento ruim por conta da pandemia da Covid-19.

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O mototaxista Lucivaldo Araújo, de 47 anos, vive na região e conhece de perto os problemas enfrentados pela comunidade. Segundo ele, a construção da ponte foi benéfica em muitos aspectos, mas faltou um diálogo com a população do Cacau Pirêra para se pensar em uma alternativa para fomentar os pequenos comerciantes do distrito.

Mototaxista ressaltou aspectos positivos e negativos trazidos pela construção da ponte.

Matheus Castro/g1

"A ponte não foi pensada para servir a comunidade, mas para passar direto a logística para Iranduba. Temos a necessidade de ter uma infraestrutura como calçadas e sinalização, precisamos também que nossos governantes pensem em um atrativo para que a economia daqui volte a girar. A nossa economia gira em torno das vendas, do mercado, e com a pandemia ficou bem devagar".

Araújo também explicou que, com a construção da ponte, houve um crescimento da população que mora na região.

"Precisamos do café, do supermercado, do posto de saúde, ou seja, de toda uma logística, e a gente percebe que falta uma estrutura adequada para receber as pessoas", explicou.

Porto do Cacau Pirêra está praticamente abandonado, após fim do transporte por balsas.

Matheus Castro/g1

Serviços melhoraram

Mas nem todos os resultados foram negativos. Segundo o mototaxista, com a ponte, as constantes quedas de energia enfrentadas pelos moradores do distrito do Cacau foram sanadas. A comunidade também usufrui de uma melhor oferta de serviços de internet e socorro para pessoas doentes.

"A estrutura da ponte nos auxiliou na travessia da fibra óptica, temos acesso ao wifi, também melhorou a estrutura energética e o acesso ao socorro. Temos ambulâncias que pode fazer a travessia. Antes era mais difícil, o acesso só era por balsa ou barco. É claro que a demanda ainda é pequena e pode ser melhorada, mas isso foi um ponto positivo muito importante para nós".

Além dos problemas econômicos e sociais apontados pela comunidade, quem usufrui da vida também sofre com problemas na manutenção da estrutura. Isso porque, a ponte é alvo constante da ação de grupos criminosos que furtam cabos da fiação de iluminação da vida, prejudicando assim a visibilidade motoristas e pedestres que usam a pista diariamente.

Em agosto deste ano, o Governo do Amazonas entregou uma nova iluminação do local. A Secretaria de Infraestrutura (Seinfra) também disse que, para preservar a ponte, foi contratado um serviço de segurança patrimonial, que visa a preservação da pista, por meio de uma vigilância constante e atuante. Também está em licitação um projeto de recuperação do viário iluminação até a entrada do Cacau Pirêra.

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