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CINECLUBE DE ARTE DO AM exibe filme de Silvino Santos perdido desde 1930 e encontrado há 8 meses

A confirmação da identidade da obra, ao ser encontrada em 2023, teve a pesquisa de doutoramento do amazonense Sávio Stoco, na Universidade Federal do Pará, como peça fundamental.

Por Real Radio TV Brasil em 18/05/2024 às 22:44:18

MANAUS - O Cineclube de Arte exibiu o filme "Amazonas, o maior rio do mundo", do cineasta Silvino Santos, neste sábado (18/05), às 18h30, com entrada gratuita. A programação foi uma realização do Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, em parceria com a Cinemateca Brasileira.

Cena do filme colorizada por meio de Inteligência Artificial por Real Radio Tv Brasil.

A obra havia sido dada como perdida desde a década de 30 do século passado, o que confere uma aura ainda mais especial à sua projeção no Cineclube de Arte. O filme foi encontrado há alguns meses, na segunda metade de 2023, na Cinemateca de Praga, na República Tcheca.

Filmada em 1918, a obra foi rodada no Pará, Amazonas e na região do oriente Peruano e mostra uma viagem fluvial pelo rio Amazonas, focalizando localidades como Belém, campos do Marajó, Santarém, Itacoatiara, Manaus e rio Putumayo.

Após aproximadamente dez anos de exibição em vários países da Europa, o filme foi dado como perdido. A confirmação da identidade da obra, ao ser encontrada em 2023, teve a pesquisa de doutoramento do amazonense Sávio Stoco, na Universidade Federal do Pará, como peça fundamental.

"Em fevereiro deste ano, o curador inglês Jay Weissberg, responsável pelo Festival de Cinema Silencioso de Pordenone (Itália), entrou em contato para eu avaliar alguns filmes sul-americanos que localizaram no acervo da Cinemateca de Praga, onde ele fez uma prospecção para organizar a programação deste ano", conta Sávio Stoco.

Segundo Stoco, um dos filmes era o mais importante, longa metragem, em ótimas condições de preservação e com narrativa muito atrativa – há muitos anos uma incógnita entre os curadores de Praga.

"Jay desconfiou ser o mítico filme perdido de Silvino Santos, "Amazonas, maior rio do mundo", pela semelhança com algumas sequências conhecidas de "No paiz das Amazonas"", afirma o pesquisador.

Confirmação

Cena do filme colorizada por meio de Inteligência Artificial por Real Radio Tv Brasil.

De acordo com o amazonense, a suspeita de que se tratava da obra perdida se deu, também, porque Jay Weissberg fez uma pesquisa prévia por registros brasileiros sobre Silvino Santos.

"Ele localizou minha tese de doutoramento em que eu elaborei um capítulo específico sobre esse filme, com mais de 130 imagens e muitas fontes de descrição textual - inéditas até então. Eu assisti e reconheci nesse filme, todas as imagens, descrições e dados, comparando com a pesquisa que fiz, defendida em 2019", conta Sávio Stoco.

No entanto, conta Stoco, os intertítulos estavam em tcheco e o título traduzido equivale a "As maravilhas do Amazonas", sem menção alguma ao diretor ou país produtor. "Passamos alguns meses analisando com muito cuidado, eu e ele. Mesmo a troca de título estava explicada em minha pesquisa. E os intertítulos em tcheco se explicam, pois a cada país onde o filme passou, houve necessidade dessa tradução, na época", relata.

O pesquisador elenca os locais onde o filme já foi exibido após sua redescoberta: pela sessão em Pordenone (Itália), República Tcheca, São Paulo (Cinemateca Braisleira), João Pessoa (Fest Aruanda), Belém (MIS-PA), Rio de Janeiro e Fortaleza. E reafirma a importância da exibição da obra em Manaus. "Foi em Manaus a cidade onde o filme foi pensado por Silvino e produzido durante cerca de três anos", afirma Stoco.

Silvino Santos entrou na história do cinema brasileiro com o seu pioneiro documentário "No Paiz das Amazonas" (1922) e como um dos maiores realizadores de não-ficção do país. Em suas memórias, Silvino chegou a contar como seu colega de equipe, Propércio de Mello Saraiva, mudou o título de "Amazonas, o maior rio do mundo", se passou como diretor do longa e negociou sua venda internacional antes de todos os materiais do filme se perderem pela Europa.

EM BUSCA DO FILME ROUBADO

Propércio de Mello Saraiva era paraense. Ele desempenhou um papel intrigante na história de um filme perdido sobre a Amazônia, intitulado "Amazonas, o Maior Rio do Mundo" (1918). Vamos explorar essa história interessante!

O filme "Amazonas, o Maior Rio do Mundo" foi rodado no final dos anos 1910 pelo cineasta luso-brasileiro Silvino Santos (1886-1970). Ele capturou as riquezas e as populações originárias de uma das regiões mais biodiversas do planeta: a Bacia Amazônica. O filme tinha pouco menos de uma hora de duração e foi distribuído na Europa com cartelas legendadas em inglês e outros idiomas.

Aqui está o enredo intrigante: Propércio de Mello Saraiva, o representante encarregado da venda internacional do filme, assumiu a autoria no lugar de Santos. Ele até escreveu relatos sobre a filmagem, que foram publicados em revistas locais de relativa importância. Saraiva, de forma malandra e desonesta, ficou com o dinheiro pago pela renomada empresa francesa Gaumont pelos direitos de distribuição. Durante pelo menos dez anos, o filme circulou por vários países europeus, creditado a quem não tinha os direitos da obra. Depois, misteriosamente, o filme desapareceu.

Em fevereiro deste ano, o crítico americano Jay Weissberg identificou uma cópia digital do filme na Cinemateca de Praga, catalogada equivocadamente como uma produção de 1925. Weissberg, especialista em cinema mudo, reconheceu traços estéticos da direção de Silvino Santos. Ele entrou em contato com o professor Sávio Stocco, da Universidade Federal do Pará, especialista no trabalho do diretor radicado em Manaus no início do século XX. Foi quando perceberam que se tratava do filme considerado perdido.

Portanto, Propércio de Mello Saraiva desempenhou um papel crucial na história desse filme, mas não como cineasta ou diretor, e sim como um personagem controverso que usurpou os créditos e os direitos da obra. Uma verdadeira trama cinematográfica na vida real!

(Texto complementado com utilização de Inteligência Artificial)

FOTOS: Reprodução

Fonte: Secom Amazonas

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