Poucas pessoas percebem, mas o mundo em que vivemos foi profundamente moldado por um livro. Muitos hoje a ridicularizam ou a tratam como um texto religioso ultrapassado. Contudo, essa atitude geralmente nasce da ignorância histórica. A verdade é que grande parte das instituições, valores e estruturas que sustentam a civilização ocidental nasceram direta ou indiretamente das Escrituras. A Bíblia não é apenas um livro de fé. Ela se tornou, ao longo dos séculos, uma bússola moral e intelectual para o Ocidente. A alma da civilização ocidental tem o DNA das Escrituras. Países como Inglaterra, Estados Unidos, Canadá, Escócia, Alemanha, França e Austrália foram profundamente moldados por princípios que nasceram desse livro. Os conceitos de dignidade humana, responsabilidade moral, valor da vida, justiça, liberdade e igualdade diante da lei encontraram na tradição bíblica seu solo mais fértil. É por isso que podemos afirmar sem exagero: a Bíblia é o livro que fez o seu mundo.
A Bíblia e o nascimento da educação moderna
Um dos exemplos mais claros dessa influência aparece no campo da educação. Foi a igreja que lançou as bases do ensino universal e do ensino superior no Ocidente. Durante séculos, o cristianismo esteve intimamente ligado à ideia de que todos deveriam aprender a ler, principalmente para ter acesso às Escrituras. O protestantismo clássico era sinônimo de educação universal. Martinho Lutero chegou a defender que deveria haver “uma escola em cada capela”. Para ele, uma sociedade que não educa seu povo não pode permanecer livre. Na Alemanha, a tradução da Bíblia feita por Lutero ajudou a moldar não apenas a espiritualidade do povo, mas também sua língua e sua estrutura educacional. Na Inglaterra e nas colônias americanas, a versão King James desempenhou papel semelhante. Em Genebra, a Bíblia dos reformadores tornou-se referência intelectual para toda uma geração. As grandes universidades europeias nasceram dentro desse ambiente cristão. Bolonha, Paris, Oxford e Cambridge surgiram sob o patrocínio da igreja. Nos Estados Unidos, cerca de 87% das primeiras 119 faculdades foram fundadas por cristãos. Entre elas estavam Harvard, Princeton, Yale e Columbia. A própria Harvard foi fundada em 1636 como uma escola cristã dedicada à formação intelectual e espiritual de seus alunos. Sua carta constitutiva declarava:
“Que todos considerem como o fim maior da sua vida e de seus estudos conhecer Jesus Cristo, que é a vida eterna.”
Seu lema era Veritas, a busca pela verdade. Hoje, muitas universidades ensinam que a verdade é apenas uma construção social provisória. A mera menção da Bíblia em certos círculos acadêmicos causa desconforto ou desprezo. Contudo, foi justamente a convicção cristã de que existe uma verdade objetiva que deu origem à própria universidade.
A Bíblia e a formação das nações
Diversos líderes políticos reconheceram o papel central das Escrituras na formação de suas nações. O presidente americano Andrew Jackson, em seus últimos momentos de vida, apontou para uma Bíblia ao lado de sua cama e declarou:
“Aquele livro, senhor, é a rocha sobre a qual nossa república descansa.”
Abraão Lincoln escreveu: “Creio que a Bíblia é o maior presente que Deus deu ao homem. Todo benefício proveniente do Salvador do mundo nos é comunicado por meio deste livro.”
Conta-se também que, quando um embaixador africano perguntou à rainha Vitória qual era o segredo do poder e do sucesso da Inglaterra, ela respondeu simplesmente levantando uma Bíblia que estava sobre sua mesa:
“Diga ao príncipe de seu país que este livro é o segredo da grandeza da Inglaterra.”
Essas afirmações refletem uma percepção histórica importante. A visão de um Deus único criador do universo, a ideia de que todos os homens possuem dignidade diante de Deus, o valor da mulher, o conceito de moralidade objetiva, o ideal de liberdade, a importância da família e a busca pela verdade encontram na Bíblia suas raízes mais profundas. Até hoje, presidentes dos Estados Unidos colocam a mão sobre a Bíblia ao fazer seu juramento de posse. Reis e governantes ao longo da história se dobraram diante da autoridade moral desse livro.
O eclipse moral do Ocidente
A história humana está repleta de exemplos de civilizações que ascenderam e depois declinaram. Muitas delas ruíram justamente quando perderam seus fundamentos morais. Hoje vemos sinais semelhantes. Famílias desintegradas, aumento no consumo de drogas, crescimento das taxas de suicídio entre jovens, crise de sentido e um profundo analfabetismo moral. Se retirarmos os fundamentos de uma casa, não precisamos esperar muito para ver o que acontece. Ela desaba. A perda de referenciais morais produz consequências concretas. Estamos assistindo, em muitos aspectos, ao pôr do sol de uma civilização que perdeu o livro que a formou.
C. S. Lewis escreveu certa vez: “Eu acredito no cristianismo como acredito que o sol nasceu. Não apenas porque o vejo, mas porque por meio dele vejo todo o resto.”
Assim como o sol ilumina tudo ao nosso redor, a Palavra de Deus ilumina todas as áreas da vida. Educação, ciência, política, cultura, arte, economia e justiça.
Abraham Kuyper expressou essa visão de maneira poderosa ao afirmar:
“Não existe um centímetro quadrado de todo o domínio da existência humana sobre o qual Cristo, que é soberano sobre tudo, não declare: é meu.”
O mundo em que vivemos não surgiu por acaso. Ele foi profundamente moldado por um livro. Se perdermos esse livro, corremos o risco de perder também os valores que construíram nossa civilização. Mas se redescobrirmos suas verdades, poderemos novamente lançar fundamentos sólidos para o futuro. A Bíblia continua sendo aquilo que sempre foi: uma fonte inesgotável de sabedoria, verdade e vida.
Ela é, de fato, o livro que criou o seu mundo.
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