Putin discute futuro da presença russa na Síria com al-Sharaa

O presidente da Síria, Ahmed al-Sharaa, reuniu-se com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Moscou, em um encontro na 4ª feira (28.jan.2026) que sinaliza uma tentativa de reacomodação das relações entre os 2 países pouco mais de 1 ano depois de al-Sharaa ter derrubado Bashar al-Assad, antigo aliado do Kremlin.

Antes do encontro, al-Sharaa agradeceu publicamente a Putin pelo que descreveu como o papel “histórico” da Rússia na estabilidade regional e pelo apoio à unidade da Síria. Putin, por sua vez, afirmou apoiar os esforços do novo governo sírio para estabilizar o país e felicitou al-Sharaa pelo avanço no processo de restauração da integridade territorial síria. As informações são da Al Jazeera.

Durante mais de uma década, Moscou e al-Sharaa estiveram em lados opostos da guerra civil síria, o que alimentou preocupações no Kremlin sobre a manutenção das bases militares russas no país. O porta-voz do governo russo, Dmitry Peskov, disse antes das conversas que a presença de soldados russos na Síria estaria na pauta da conversa entre os 2 líderes. Atualmente, a Rússia mantém tropas na base aérea de Khmeimim e na base naval de Tartus, ambas na costa mediterrânea.

Relatos indicam que, no início da semana, forças russas deixaram o aeroporto de Qamishli, no nordeste sírio controlado por curdos, concentrando sua presença apenas nas duas bases do Mediterrâneo. Imagens divulgadas por uma correspondente do site Al-Monitor mostram o que seria a base abandonada.

A Síria foi historicamente um dos principais aliados de Moscou no Oriente Médio, relação que remonta à Guerra Fria, quando a União Soviética deu amplo apoio militar ao regime baathista liderado por Hafez al-Assad e, depois, por seu filho Bashar. Segundo o pesquisador Samuel Ramani, do centro britânico RUSI (Royal United Services Institute), havia receio na Rússia de que um governo hostil surgisse em Damasco depois da queda de Assad, mas Moscou acabou surpreendida pela postura pragmática de al-Sharaa.

Ainda segundo Ramani, o líder sírio busca equilibrar relações com diferentes potências, em um contexto de incerteza na política externa dos Estados Unidos. Apesar disso, al-Sharaa também demonstrou distanciamento em relação ao passado recente, minimizando o papel russo na guerra e pedindo a extradição de Bashar al-Assad, que recebeu refúgio em território russo.

Para Putin, manter influência na Síria ganhou peso adicional depois da perda de outros aliados e em meio a tensões envolvendo a Venezuela e o Irã. Paralelamente, os novos dirigentes sírios passaram a reorientar a política externa, buscando aproximação estratégica com os Estados Unidos, enquanto um cessar-fogo frágil segue em vigor no país.

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