Leia trechos de conversas atribuídas a Vorcaro, reproduzidas por Mendonça na decisão a partir de mensagens obtidas na investigação da PF:
- ameaça contra jornalista: “Esse lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto.”


- monitoramento de jornalista: “Tinha que colocar gente seguindo esse cara. Pra pegar tudo dele.”
- ordem para intimidar alvo: “Levantar tudo dos dois.”
- intimidação de pessoas: “O bom de dar sacode no chef de cozinha primeiro. O outro já vai assustar.”

- ameaça a funcionária: “Empregada Monique me ameaçando. É mole? Tem que moer essa vagabunda.”
- ordem para levantar informações: “Puxa endereço tudo.”

Os itens 35 a 38 da decisão citam mensagens que tratam do pagamento mensal ao grupo responsável pelas ações de monitoramento e intimidação.
Em uma conversa reproduzida nos autos, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão afirma a Vorcaro que “o Fabiano não mandou este mês e a turma está perguntando”, em referência aos valores repassados ao grupo. Em seguida, explica que o pagamento seria dividido entre integrantes da estrutura.
Em outro diálogo, uma funcionária pergunta a Vorcaro se o repasse seria “1 mm como normalmente”, ao que ele responde “sim”, antes de ser realizada a transferência de R$ 1 milhão para uma empresa indicada por Mourão.
As mensagens também mostram o interlocutor relatando que monitorava um ex-funcionário do empresário e perguntando se havia “algum telefone alguma coisa assim para monitorar”, o que, segundo a investigação, indicaria a atuação do grupo na coleta de informações sobre pessoas consideradas adversárias.



OPERAÇÃO COMPLIANCE ZERO
Na 3ª fase da operação, estão sendo cumpridos 4 mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais. O cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, também é alvo de mandado de prisão. A PF informou que as medidas incluem afastamento de cargos públicos e bloqueio de bens de até R$ 22 bilhões para interromper a movimentação de ativos ligados ao grupo investigado.
A operação Compliance Zero começou em novembro de 2025 e investiga crimes como ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos. Nas fases anteriores, a PF apreendeu 52 celulares, mais de R$ 2,6 milhões em espécie, um avião avaliado em cerca de R$ 200 milhões, 30 armas e veículos que somam mais de R$ 25 milhões. As investigações tiveram início em 2024, a partir de pedido do MPF (Ministério Público Federal) para apurar indícios de fabricação e venda de títulos de crédito falsos no sistema financeiro.
Vorcaro havia sido preso na 1ª fase da operação, mas foi solto por decisão do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região) em novembro de 2025, quando passou a cumprir medidas cautelares e a usar tornozeleira eletrônica. O banqueiro tinha depoimento marcado para esta 4ª feira (4.mar) na CPI do Crime Organizado do Senado, mas Mendonça retirou na 3ª feira (3.mar) a obrigatoriedade de comparecimento. O presidente da comissão, senador Fabiano Contarato (PT-ES), cancelou a sessão após a ausência dos convocados.
Em nota, Contarato afirmou que a CPI seguirá investigando o caso e disse que decisões que tornam facultativa a presença de investigados “acabam permitindo que o próprio investigado escolha se quer ou não prestar esclarecimentos à sociedade”.