Quantos metros de altura teria uma pilha com um bilhão, em notas de um real? Cinco metros, vinte, cem, duzentos? Não tenho a menor ideia…
Vem à minha mente a imagem da Caixa-Forte do Tio Patinhas, despejando um monte de dinheiro em cima dos personagens, quando a porta era aberta. Só vendo uma imagem assim o povo entenderia a quantidade de dinheiro que deixa de ser usada em seu benefício, envolvida em sucessivos desvios e escândalos.
As imagens dizem muito… Neste caso, funcionariam como um puxão de orelhas em quem é tão cordato, que é vítima da corrupção e ainda vota nos corruptos, que elege gente que não está nem aí para as suas reais necessidades ou que faz aquilo que condenava nos outros.
Antes de avançar, é péssimo descobrir que a dívida externa brasileira bate recorde em seus 56 anos de existência, chegando a U$$ 400 bilhões (equivalentes a 2 trilhões de reais)! É dívida imensa e que nós, povo e empresas, com os nossos impostos e suor e trabalho, teremos que pagar. Alguém vai nos pedir desculpas por ter nos endividado tanto assim?
Em tempos de crise do Master, convém refletir que master significa mestre, especialista, perito. Ora, se as coisas ligadas ao Master estão assim, imagine como estão as coisas ligadas aos inábeis e incompetentes?
Quem diria que viveríamos tempos em que os malfeitos seriam tão difundidos, a ponto de não se saber mais como nos salvar de nós mesmos? Estamos expostos… E isso me faz pensar se existe algum tipo de bunker que seja hábil a nos proteger de tudo isso que a imprensa tem noticiado. Para onde correr? Percebamos que a conta financeira será paga por nós, pessoas comuns, todas as vezes que os malfeitos e atos de corrupção e afins levarem a União Federal a realizar gastos para cobrir rombos, pois não é “o governo” que paga. Quem suporta os pagamentos somos eu, você e os nossos familiares, mães, pais, tios, avós, vizinhos e colegas de trabalho.
O dinheiro que é usado para cobrir os rombos causados, ao longo dos anos e décadas, por anti-heróis da pátria, deixou de ser empregado na merenda escolar, na reforma e na modernização das escolas, na construção de mais hospitais, postos de saúde e creches, na reforma agrária, na promoção de atividades para nos garantir a soberania alimentar, na compra de equipamentos e material para modernizar e bem equipar as nossas forças armadas, no combate ao esgoto a céu aberto, na melhoria na infraestrutura das cidades, no combate à falta d`água, na prevenção das enchentes que matam e causam prejuízos e na melhoria da segurança pública e combate ao crime, além de tantas coisas mais, que percebemos que poderiam ser melhoradas. Quem vai pedir desculpas pelo que temos visto nos últimos anos? Vão se arrepender por condenar tantas pessoas a se submeter à longa espera por exames médicos gratuitos e vagas para a realização de cirurgias? Quem vai conseguir olhar nos olhos dos que sofrem em leitos hospitalares sem tratamento adequado? Vão se arrepender por levarem as pessoas a ter que recorrer ao Judiciário para obter remédios e tratamentos, porque o sistema de saúde não os fornece?
Quem vai nos fazer ter consciência de que o voto é remédio eficaz contra isso somente se for feito com consciência e não por impulso emocional e clima de oba-oba?
Quem vai reconhecer que os atos relacionados com desvios de dinheiro público acabam atingindo a todos, tanto aos que pagam os impostos quanto os que deixam de ser destinatários de ações públicas e programas sociais? Quem vai se desculpar por ainda haver carência em tantas áreas? Quem vai pedir desculpas aos mais necessitados, que continuam a estar nesta posição, em parte, em decorrência disso tudo?
Quem vai se desculpar pelo fato de que ainda não sentimos as mudanças que o petróleo do Pré-Sal nos proporcionaria?
Quem vai se desculpar por prejuízos que se noticia em vários setores, por empresas em falência ou recuperação judicial ou se transferindo até para o Paraguai?
Aliás, mais do que isso, mais e além dos pedidos de desculpas que poderiam ou não chegar e que não farão mesmo diferença no plano das necessidades pretéritas, das lágrimas já derrubadas e do sofrimento já sentido, mais importará é a postura por mudanças e melhorias futuras. O que terá força para mudar isso tudo é o posicionamento das vítimas, dos atingidos por tantas coisas… Exigirá o povo que as pessoas lhes peçam desculpas? Mobilizará o povo a sua força, cívica, natural e constitucional?
Acordaremos do “sonho de Alice” de que não vivemos num mundo ideal e bonzinho, com o vigor apenas para dizer “sim” aos mandatários de plantão, sem nos importar, sequer, conosco e com os nossos queridos?
Quando deixaremos de agir como as árvores da floresta que não protestaram quando o machado chegou para cortá-las, dizendo que não tinham com o que se preocupar porque o cabo era de madeira como elas? A falha das árvores foi não compreender a realidade e se prender ao passado e às origens, não percebendo que o cabo só foi como elas quando era ainda uma árvore, o que ocorreu antes de tomar outra forma e identidade e após passar pela plaina e ser lixado e envernizado – deixando de ser igual.
Precisamos, também, nos desculpar, com profundo rigor e consciência, pois temos alguma culpa se chegamos a este estado de coisas sem reclamar quando os pequenos fatos surgiram. Como se diz, “de grão em grão a galinha enche o papo”. Não reclamamos quando o primeiro grão foi levado, quando o segundo o acompanhou e quando os punhados sumiram. Nem quando o primeiro milhão foi seguido por outros e outros, até chegarem às casas das dezenas de milhões, depois centenas… e, agora, com a maior naturalidade, se falar em bilhões!
Quem vai pedir desculpas?
Quem vai reparar os erros?
Quem vai responder por isso?
Quem vai devolver o dinheiro?
Quem vai se exonerar para não mais envergonhar o povo?
Quem vai se afastar para não contaminar a imagem das suas instituições?
Quem vai nos convencer com atos e não com palavras?
Quem vai nos dar alento?
Quem vai nos fazer acreditar, de novo, em moinhos de vento?
Quem vai nos curar?
Estamos envergonhados do que estamos vendo e estamos doentes, numa sociedade doente, com crise moral, crise ética, crise existencial, crise de moradia, de serventia, de utilidade… crise existencial!
Precisamos de despertamento da consciência social e cívica.
A nossa sociedade precisa de terapia, precisa de autoconhecimento e precisa de reconexão com a realidade. Precisa amadurecer e precisa avançar, prosperar.
Os que estão de luto precisam voltar a caminhar, passo após passo. Os que não têm consciência do luto em que vivem, precisam despertar.
O post QUEM VAI PEDIR DESCULPAS? apareceu primeiro em A Gazeta do Amapá.
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