O diretor sênior de comunicação da 99Food, Bruno Rossini, disse em entrevista ao Poder360 que a empresa é a favor da regulamentação dos trabalhadores por aplicativo.
“Defendemos a existência da regulamentação porque traz estabilidade e mais tranquilidade para as empresas operarem e competirem”, declarou o diretor.
Rossini afirmou que a 99 é a favor, por exemplo, de:
- estabelecer bases de pagamento mínima que estejam alinhadas com salário mínimo, atualmente de R$ 1.621,00;
- transparência na comunicação com os motoristas;
- previdência para os trabalhadores por aplicativo.
O diretor afirmou que a empresa investe em cidades com operação da 99Food para criar e oferecer aos entregadores pontos de apoio para que possam parar a moto com segurança, ter um lugar para carregar o celular, ter água, café e banheiro. Nos próximos 3 anos, o investimento será de R$ 50 milhões.
Assista à entrevista (50min28s):
Expansão da 99Food
A 99Food anunciou em abril de 2025 que retornaria a operar no Brasil depois de cerca de 3 anos. Em junho do ano passado, começou um funcionamento piloto em Goiânia. Em março de 2026, já estava em 70 cidades do país, como Brasília, Manaus e Fortaleza.
O investimento da 99 para os primeiros 12 meses de operação da 99Food foi de R$ 2 bilhões. O objetivo da empresa é chegar a 100 cidades até junho deste ano, quando completa o 1º ano de funcionamento do aplicativo.
Rossini declarou que o motivo de a 99 ter escolhido Goiânia para ser a 1ª cidade a relançar a 99Food é que a cidade tem certos pontos positivos para se iniciar uma operação como a que a empresa começou:
- diversidade gastronômica grande;
- boas condições de trânsito, com vias largas;
- restaurantes interessados em vender na 99Food.
“Conforme ganhamos tração nas cidades, as outras cidades nos procuram para expandirmos para lá. Os restaurantes, os consumidores e os entregadores das cidades pedem para a 99Food chegar”, afirmou o diretor.
“O nosso compromisso é levar uma proposta diferente e criar uma alternativa para entrega de comida que viesse para devolver o protagonismo e a posição central no mercado para quem cozinha, para quem entrega e para quem consome”, declarou Rossini.
O diretor disse que atualmente os critérios para escolher uma cidade para receber a 99Food são:
- tamanho da operação do aplicativo da 99 no local;
- equilíbrio entre quantidade de restaurantes disponíveis em uma cidade e de entregadores dispostos.
A 99 está presente atualmente em 3.300 cidades brasileiras e tem 55 milhões de usuários ativos no aplicativo. Há 2,5 milhões de motociclistas e motoristas parceiros da plataforma.
Entrada no mercado em 2018
A 99Food tentou operar no Brasil pela 1ª vez em 2018, mas encerrou as atividades em 2022. Rossini declarou que, naquele ano, não existiam “bases sustentáveis” de competição para o mercado de delivery.
“Não conseguíamos expandir pelo território, competir com outras empresas que já estavam estabelecidas por práticas que acabaram com competitividade no mercado”, disse Rossini.
Segundo o diretor, de 2022 a 2025, a 99 aprendeu mais sobre o mercado de entrega de comida e disse que agora há mais espaço no setor.
“Era preciso devolver para o centro de gravidade desse mercado, quem faz ele girar, como eu falei, que é quem entrega, quem cozinha e quem consome. Dar para essas pessoas a liberdade de escolha”, disse Rossini.
Entre os principais desafios para retomar a operação da 99Food no país, Rossini citou:
- pensar como inovar em ser criativo para trazer práticas comerciais que diminuem o preço da comida no app;
- pensar como trazer tecnologia que faz a entrega ser mais eficiente e uma experiência ser melhor para o consumidor.
Planos futuros
A 99Food não é um aplicativo separado, mas uma opção dentro do app da 99.
Rossini declarou que a plataforma pretende lançar em breve o 99Compras, para comprar, por exemplo, em farmácias e supermercados. Declarou que Goiânia será novamente a 1ª cidade a receber a novidade.
“Estamos criando um aplicativo que vai integrar serviços essenciais que funcionam dentro da 99. Nossa visão de longo prazo é agregar cada vez mais esses serviços. O usuário não vai ter um aplicativo diferente para mobilidade, um diferente para compras, um diferente para comida. Tudo está dentro do aplicativo da 99”, declarou o diretor.
Para o futuro, Rossini afirmou esperar que o mercado de entrega de comida possa “continuar operando de maneira segura”.
“Espero que as bases jurídicas sejam estabelecidas para as competições serem justas e para as práticas não serem anticoncorrenciais e abusivas”, declarou Rossini.
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