O relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), criticou nesta 3ª feira (7.abr.2026) a decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), de não prorrogar os trabalhos da comissão. Segundo ele, a medida representa um “um grande desserviço para a nação”.
Vieira afirmou que o requerimento para estender o funcionamento da CPI foi apresentado com base nos requisitos constitucionais e regimentais, mas acabou rejeitado sob o argumento de Alcolumbre de que 2026 é um ano eleitoral.
Para o relator, a justificativa não se sustenta diante da relevância das investigações em andamento.
Além disso, Vieira disse que o STF (Supremo Tribunal Federal) já firmou entendimento de que a criação de CPIs é um direito constitucional de minoria, mas disse que pretende “testar” novamente esse posicionamento diante da negativa recente de prorrogação.
“Vamos testar agora para saber se o Supremo vai rasgar mais esse pedaço da Constituição. Tem rasgado vários, mas esse ainda não”, declarou o senador a jornalistas.
Ele acrescentou que a comissão ainda tem um volume elevado de documentos e dados a serem analisados, o que ficará prejudicado com o encerramento do prazo.
Vieira disse que o relatório final será apresentado na próxima 3ª feira (14.abr.2026), data em que também está previsto o depoimento do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro.
O senador afirmou que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, confirmou depoimento na 4ª feira (8.abr.2026). Já o ex-presidente da instituição Roberto Campos Neto ainda não deu retorno.
“Aguardamos a manifestação dele, especialmente porque o avanço das fraudes ligadas ao caso Master teria se intensificado durante a sua gestão”, disse.
O relator declarou que a CPI identificou indícios relevantes da atuação do crime organizado e sua relação com agentes públicos, além de possíveis irregularidades envolvendo o caso do Banco Master.
Segundo ele, a quebra de sigilo do banco chegou incompleta, o que exigirá novos pedidos de informação.
Vieira também afirmou que a comissão pretende utilizar “todas as ferramentas legais e constitucionais” para dar continuidade às apurações, inclusive com medidas judiciais para a instalação de uma nova CPI focada no caso.
Para o senador, a interrupção dos trabalhos atende a interesses de grupos afetados pelas investigações.
Ele disse que o crime organizado só se sustenta com a conivência de agentes públicos e que há resistência à continuidade das apurações justamente por envolver “figuras poderosas”.
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