Ao mesmo tempo em que a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã desestabilizou o Oriente Médio e parte da economia mundial, Rússia e Ucrânia. De formas diferentes, os dois países, em conflito desde 2022, já colhem frutos econômicos e diplomáticos por conta da crise.
O que está acontecendo?
- A guerra entre EUA, Israel e Irã afeta não só o Oriente Médio, mas também a economia mundial como um todo.
- Isso porque o Estreito de Ormuz, por onde cerca de 20% do petróleo mundial é escoado, foi bloqueado parcialmente pelo Irã em retaliação aos ataques norte-americanos e israelenses.
- A medida provocou um colapso no setor petrolífero, e impulsionou a alta no barril do petróleo, que já ultrapassou a casa dos US$ 100 dólares nos últimos dias.
- Com isso, sanções contra o petróleo da Rússia foram aliviadas, e o combustível russo voltou a ter competitividade no mercado internacional.
- Enquanto isso, a Ucrânia busca parcerias de defesa com países do Oriente Médio que estão sendo atacados pelo Irã. Principalmente na área de drones.
- A ideia de Zelensky é usar a experiência da Ucrânia com drones, e em sistemas de defesa contra os mesmos, como moeda de troca.
Menos de 15 dias após o início da guerra no Oriente Médio, a Rússia viu o conflito refletir, diretamente, em seu setor petrolífero. Diante da crise mundial de combustíveis, o governo dos EUA deu sinal verde, em 12 de março, para países comprarem petróleo russo que já esteja no mar. O alívio nas sanções norte-americanas contra Moscou, o primeiro desde 2022, tem validade de 30 dias.
Além disso, a administração Trump permitiu que a Índia retomasse a compra de petróleo da Rússia, meses após exigir que o país liderado por Narendra Modi interrompesse as importações russas.
A decisão surgiu depois de o Irã bloquear o Estreito de Ormuz, onde transitam cerca de 20% do petróleo produzido mundialmente. Por isso, o mercado rapidamente entrou em colapso, com o preço do barril tipo brent ultrapassando a casa dos US$ 100 dólares.
Foi nesse cenário que o petróleo russo, antes alvo de diversas sanções por conta da invasão na Ucrânia, voltou a ganhar força. Após o combustível da Rússia se tornar uma alternativa para a baixa demanda mundial, o combustível, antes vendido com grandes descontos, voltou a ter competitividade comercial.
Segundo dados do Centro de Investigação sobre Energia e Ar Limpo (CREA), a Rússia faturou mais de 370 milhões de euros diários com exportações do combustível somente nos primeiros 15 dias de março.
Reação ucraniana
A flexibilização de sanções contra o petróleo da Rússia por parte dos EUA foi alvo de críticas do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Segundo o líder ucraniano, a medida pode beneficiar o país comandado por Putin na guerra do Leste Europeu — cujas discussões de paz ficaram em segundo planos devido a crise no Oriente Médio.
Como forma de contornar a situação, o presidente da Ucrânia se voltou aos países do Golfo Pérsico. Desde o início do conflito, eles têm sido alvos de ataques do Irã devido a presença de bases e instalações militares dos EUA em seus territórios.
O principal foco de Zelensky é usar a experiência ucraniana com drones, adquirida nos últimos quatro anos de guerra com a Rússia, como moeda de troca com nações do Oriente Médio. Isso porque Teerã e grupos aliados adotaram veículos não-tripulados como principal arma nas ofensivas contra posições norte-americanas na região.
“A Ucrânia tem a maior experiência do mundo em combater drones de ataque, e sem a nossa experiência será muito difícil para a região do Golfo, todo o Oriente Médio, e parceiro na Europa e na América para construir uma proteção forte”, disse Zelensky no início de março. “Estamos prontos para ajudar aqueles que nos ajudam”.
Na última semana, mais de 200 militares da Ucrânia foram enviados para a região, com uma missão: auxiliar países a se defenderem dos ataques com drones vindos do Irã.
O primeiro fruto das negociações veio da Arábia Saudita, que assinou um acordo de defesa com a Ucrânia na sexta-feira (27/3). O pacto foi firmado durante encontro entre Zelensky e o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman.
Em uma publicação na rede social X, o presidente ucraniano destacou que a parceria é focada em “fortalecer as capacidades de defesa aérea da Arábia Saudita”.
“Isso diz respeito, sobretudo, às estratégias para abater drones”, disse Zelensky. “A Ucrânia está pronta para uma cooperação de longo prazo e mutuamente benéfica”.
Ainda não está claro quais são os termos do acordo entre Kiev e Riade. A expectativa, porém, é de que a cooperação impulsione não só a economia da Ucrânia — cuja dívida externa por conta da guerra com a Rússia já superou a casa dos US$ 115 bilhões —, mas também nos esforços diplomáticos para uma solução do conflito no Leste Europeu.
Fonte: Metrópoles
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