O termo “beócio”, usado pelo fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, para se referir ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), significa, em sentido figurado, uma pessoa considerada ignorante ou de pouca inteligência. A palavra aparece em mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro –às quais o Poder360 teve acesso– durante investigação da Polícia Federal.
Em conversa com sua namorada, Martha Graeff, Vorcaro comenta uma publicação feita por Bolsonaro sobre uma operação envolvendo títulos do Master. O post mencionava reportagem do jornal O Globo que dizia que gerentes da Caixa Econômica Federal foram demitidos depois de barrarem uma operação de R$ 500 milhões com papéis do banco, considerada “arriscada” e “atípica”.

Após a publicação, Vorcaro afirmou ter recebido ligações de aliados, entre eles o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Disse que “não tinha como tirar” a reportagem do ar e escreveu: “Alguém falou que era coisa PT ele postou”. Em seguida, acrescentou: “Cara é um beócio”.

O QUE SIGNIFICA “BEÓCIO”?
O adjetivo “beócio”, segundo o dicionário Aurélio, refere-se originalmente a alguém da Beócia, região da Grécia Antiga. Com o tempo, a palavra passou a ser usada de forma figurada para descrever pessoas consideradas ignorantes, simplórias ou pouco inteligentes.
O termo deriva do latim Boeotius, que vem do grego Boiōtós, usado para identificar os habitantes da Beócia, região localizada na Grécia central.
Na literatura ateniense, os beócios eram frequentemente retratados como um povo rústico e pouco sofisticado em comparação com os atenienses. Essa representação contribuiu para que o termo adquirisse o sentido pejorativo que mantém até hoje.
PRISÃO DE VORCARO
A PF (Polícia Federal) deflagrou na manhã de 4ª feira (4.mar.2026), a 3ª fase da operação Compliance Zero. Daniel Vorcaro, foi preso em São Paulo e levado para a Superintendência na capital paulista. A ordem de prisão partiu do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça.
Em nota, a corporação informou que o objetivo da ação é “investigar a possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa”.
OPERAÇÃO COMPLIANCE ZERO
A operação foi iniciada pela pela PF em 18 de novembro de 2025. Nas duas fases anteriores, apreendeu 52 celulares, mais de R$ 2,6 milhões em espécie, um avião de R$ 200 milhões, 30 armas e veículos avaliados em mais de R$ 25 milhões.
As investigações começaram em 2024, a pedido do MPF (Ministério Público Federal), que solicitou a verificação de indícios de fabricação e venda de títulos de crédito falsos por instituições que integram o SFN (Sistema Financeiro Nacional) e circulação de “ativos podres” para ocultar rombos financeiros.
Estão no centro das investigações o Banco Master, de Vorcaro, e gestores, executivos e empresários ligados a fundos de investimentos e operações com títulos de crédito. A instituição foi liquidada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025.
Vorcaro havia sido preso preventivamente na 1ª fase da operação. Em 28 de novembro de 2025, o TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região) determinou a soltura de Vorcaro. Ele colocou tornozeleira eletrônica e passou a cumprir medidas cautelares. Leia a íntegra da decisão (PDF – 74 kB).
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