Salto de 128 % no uso de herbicidas em uma década: resistência ao glifosato vira ponto crítico no campo

O avanço da resistência de plantas daninhas ao glifosato virou sinal de alerta para agricultores, pesquisadores e indústrias químicas: custos sobem, produtividade cai e soluções sustentáveis se tornam essenciais para proteger a produção nacional a longo prazo.

Glifosato, plantas daninhas
O glifosato, herbicida de amplo espectro, tornou‑se pilar do manejo de plantas daninhas no Brasil, mas seu uso intensivo também acelera a seleção de espécies resistentes.

A resistência de plantas daninhas ao glifosato vem se tornando um dos maiores desafios da agricultura no Brasil. Esse herbicida, amplamente utilizado desde os anos 1990 por ser eficiente e de custo acessível, hoje enfrenta o surgimento de espécies resistentes, impactando diretamente a produtividade e elevando os custos de manejo.

O artigo publicado na revista Agriculture discute como esse fenômeno influencia não apenas os produtores, mas também a indústria de defensivos, que precisa adaptar rapidamente suas estratégias.

As consequências desse problema vão além do campo. A resistência implica no aumento do uso de herbicidas alternativos, elevação de custos de produção e impactos ambientais significativos, como o risco de contaminação de solos e águas. Pesquisadores brasileiros, com apoio de universidades e instituições de pesquisa, vêm estudando o problema para propor soluções mais sustentáveis, como o manejo integrado de plantas daninhas.

O que é resistência ao glifosato?

A resistência ocorre quando populações de plantas daninhas desenvolvem mecanismos genéticos que as tornam imunes aos efeitos do herbicida. Isso não acontece de um dia para o outro; é o resultado de anos de uso intensivo e repetitivo de um mesmo produto, sem diversificação das práticas agrícolas. No Brasil, casos de espécies como buva (Conyza spp.) e capim-amargoso (Digitaria insularis) já foram amplamente documentados, tornando-se exemplos claros desse fenômeno.

Buva, arroz, soja, milho
A buva (Conyza spp.) é uma planta daninha de rápida disseminação que desafia lavouras brasileiras pela crescente resistência ao glifosato.

O artigo destaca que, em um país com vastas áreas agrícolas como o Brasil, a dependência do glifosato acelerou o processo de resistência. Produtores muitas vezes não tiveram alternativas viáveis ou acessíveis, o que contribuiu para a rápida disseminação dessas espécies nos últimos anos.

Impactos econômicos e ambientais

Os custos para lidar com plantas daninhas resistentes são cada vez mais altos. Além da necessidade de herbicidas adicionais, há gastos com mão de obra, maquinário e perdas de produtividade. Esse cenário pressiona o setor agrícola, especialmente os pequenos produtores, que têm menor capacidade de absorver os aumentos nos custos de produção.

Do ponto de vista ambiental, o uso excessivo de herbicidas alternativos pode gerar desequilíbrios, como a contaminação de ecossistemas próximos às lavouras.

Isso reforça a importância de estratégias mais integradas, como a rotação de culturas e o uso de controle mecânico. Algumas medidas fundamentais para evitar a expansão do problema incluem:

  • Rotação de herbicidas com diferentes mecanismos de ação.
  • Integração de métodos mecânicos e culturais, como capinas e cobertura do solo.
  • Monitoramento constante das áreas de cultivo para identificar plantas resistentes precocemente.
  • Uso consciente do glifosato, evitando aplicações desnecessárias.

Estratégias e perspectivas para o futuro

O estudo ressalta que a solução para o problema não está apenas no desenvolvimento de novos produtos químicos. É preciso mudar a forma como os sistemas agrícolas são conduzidos. O manejo integrado, que combina diferentes técnicas de controle, surge como alternativa promissora. Além disso, a pesquisa científica no Brasil vem avançando para identificar práticas de manejo que sejam eficazes e economicamente viáveis.

Os resultados mostram que enfrentar a resistência ao glifosato não é apenas uma questão técnica, mas também estratégica para a segurança alimentar do país. Se bem conduzido, o manejo sustentável pode garantir que os agricultores continuem a produzir em larga escala, reduzindo os impactos ambientais e mantendo a competitividade do agronegócio brasileiro.

A mensagem final é clara: a resistência ao glifosato é um alerta para repensar os métodos agrícolas e investir em inovação para assegurar o futuro da produção de alimentos no Brasil.

Referência da notícia

Impacts of Weed Resistance to Glyphosate on Herbicide Commercialization in Brazil. 17 de dezembro, 2024. Procópio, S. et. al.

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