Shein enfrenta Parlamento Europeu por venda de produtos ilegais

A empresa chinesa de ultra-fast fashion Shein participará de uma audiência no Parlamento Europeu na 3ª feira (27.jan.2026), convocada pelo IMCO (Comitê de Mercado Interno e Proteção do Consumidor), para prestar esclarecimentos sobre a venda de produtos ilegais na União Europeia, incluindo bonecas sexuais com aparência infantil, e outras práticas comerciais. 

A audiência foi marcada depois de uma série de tentativas frustradas de convocar a empresa, segundo a presidente da IMCO e eurodeputada alemã, Anna Cavazzini (Aliança 90, esquerda). “A Shein finalmente respondeu aos e-mails dos legisladores da União Europeia e vai comparecer ao IMCO”, disse.

Cavazzini também afirmou que a audiência possibilitará um controle mais rigoroso sobre as atividades da plataforma. “Os deputados terão o direito de examinar de perto a conduta dos grandes marketplaces on-line, à luz dos recentes escândalos envolvendo a Shein”. 

Em nota, o porta-voz da companhia chinesa, Martin Reidy, confirmou a presença na audiência. “Pretendemos comparecer à reunião do IMCO em 27 de janeiro e esperamos uma troca construtiva com os parlamentares sobre o desafio, em toda a indústria, de garantir a segurança e a proteção dos consumidores no ambiente online”, diz o texto.

O caso das bonecas sexuais

Autoridades francesas abriram as investigações contra a Shein em novembro de 2025, depois de identificarem a venda de bonecas sexuais com aparência infantil no site da empresa. A DGCCRF (Direção-Geral da Concorrência, Consumo e da Repressão às Fraudes) comunicou ter enviado o caso ao Ministério Público, ao determinar que a descrição dos produtos na plataforma “dificulta duvidar do caráter pedopornográfico deles”. 

Segundo informações divulgadas pela Euronews, alguns dos produtos apresentavam “traços e corpos de uma menina pequena”, incluindo um modelo de 80 centímetros, acompanhado por um ursinho de pelúcia. 

Depois que o caso ganhou atenção, a Shein comunicou que os produtos “foram prontamente removidos da plataforma assim que fomos informados desses problemas”, e que iniciou “uma investigação interna para identificar e remover todo produto similar comercializado por vendedores terceiros”.

De acordo com os dados citados pela Euronews, a Shein foi a marca de moda mais utilizada na França em 2024. Ainda assim, a empresa já havia sido multada 3 vezes por autoridades francesas, totalizando 191 milhões de euros em penalidades. As multas foram impostas devido a promoções falsas, informações enganosas na descrição dos produtos e omissões na declaração de microfibras plásticas.

Protestos contra a Shein em Paris

Em novembro de 2025, manifestantes se reuniram em frente à loja da Shein em Paris, inaugurada no mesmo mês, para protestar contra a venda das bonecas sexuais com aparência infantil no site. Cidadãos e entidades de proteção as crianças exibiam cartazes com frases como “Protejam crianças, não a Shein” e gritavam “vergonha!” aos consumidores que entravam na loja.

Enquanto essas bonecas estiverem disponíveis em algum lugar do mundo, a empresa continuará sendo cúmplice de um sistema que permite crimes sexuais contra crianças”, afirmou Arnaud Gallais, cofundador da ONG (Organização Não Governamental) de proteção infantil Mouv’Enfants.

Lei de Serviços Digitais 

A audiência será realizada no contexto da aplicação da DSA (Lei Dos Serviços Digitais), conjunto de regras adotado pela União Europeia para aumentar a responsabilidade de grandes plataformas digitais pela circulação de conteúdos e produtos ilegais no ambiente on-line. 

A legislação passou a ser plenamente aplicada em toda União Europeia em fevereiro de 2024 e impõe obrigações mais rigorosas às plataformas on-line de grande dimensão. Em abril do mesmo ano, a Shein foi classificada pela Comissão Europeia nessa categoria, depois de o órgão identificar que a empresa possui mais de 45 milhões de usuários mensais do bloco. 

A DSA exige que plataformas de grande porte removam produtos ilegais, impeçam a reincidência dessas ofertas e aumentem a proteção dos consumidores, sobretudo de menores. O descumprimento das obrigações pode levar a multas de até 6% do faturamento global anual da empresa, além da aplicação de medidas corretivas para adequação às normas europeias. 


Esta reportagem foi produzida pelo estagiário de jornalismo Davi Madorra sob supervisão da editora-assistente Aline Marcolino.

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