A 6ª edição do Radar Agtech Brasil, lançada na 3ª feira (24.mar.2026), declara que o crescimento no número de empresas emergentes de base tecnológica no setor agropecuário desacelerou e a concentração geográfica diminuiu com o avanço em regiões produtoras. O levantamento feito por Embrapa, SP Ventures e Homo Ludens referente a 2025 retrata o ecossistema de inovação no agro brasileiro. O foco são ambientes de inovação, startups e investidores do setor.
Os dados mostram que o Sul ultrapassou o Sudeste em número de ambientes de inovação. Dos 390 mapeados no país, 37,18% estão em Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, enquanto 32,82% ficam no Sudeste. O destaque é o Rio Grande do Sul, com aumento de incubadoras. Segundo o coordenador do Radar Agtech, Aurélio Favarin, os dados revelam atuação do governo estadual. “Há um planejamento para criar condições para as startups iniciarem”, disse Favarin.
A região Sudeste tem mais hubs e aceleradoras, o que indica maior maturidade. Enquanto a 1ª foca na aceleração e negócios, a região Sul concentra‑se nas etapas iniciais das startups (incubação).
Desaceleração e maturidade
O levantamento contabilizou 2.075 agtechs em 2025 no Brasil, 5% a mais que no ano anterior, segundo o pesquisador da Embrapa Vitor Mondo. O crescimento moderado indica maior maturidade do ecossistema e consolidação de modelos. “Entre 2019 e 2021 houve um boom de ambientes. Com o tempo, essas iniciativas vão se acomodando, com permanência daquelas mais bem estruturadas. É um comportamento esperado”, afirma o documento.
As regiões Sudeste e Sul concentram 79% das agtechs. Porém, há crescimento proporcional nas regiões Norte, Nordeste e Centro‑Oeste, aproximando as startups das áreas de produção agropecuária. Em 2019, Norte e Nordeste tinham 5% das agtechs. Atualmente, o Norte tem 7,6% e o Nordeste, 6,5%, segundo Mondo. O Centro-Oeste soma 7,1%. No Amazonas são 17 empresas; em Goiás, 15; e em Mato Grosso, 14.
Minas Gerais e Rondônia, com 13 cada, foram os Estados que mais ganharam agtechs. Já o Rio Grande do Sul registrou redução de 27 empresas; Tocantins e Distrito Federal perderam 7 cada, e São Paulo, 6. Para os pesquisadores, a tendência ocorre enquanto cresce a proporção de agtechs atuando “dentro da fazenda”. É um sinal de que as empresas já conseguem acessar diretamente o produtor rural.
Áreas de atuação
As agtechs brasileiras estão predominantemente nos segmentos dentro da fazenda (41,1%) e fora da fazenda (40,5%). A categoria “Alimentos inovadores” lidera o ranking de atuação, com 15% das empresas.
A inteligência artificial é amplamente disseminada: 83% das agtechs utilizam IA em seus processos. Para Favarin, a tecnologia digital deixou de ser um diferencial pontual e passou a ser uma camada estrutural. O Radar Agtech Brasil elenca casos de inovação aberta com atuação da Embrapa e do governo do Espírito Santo. Pela 1ª vez, as versões em inglês e espanhol serão lançadas junto com a edição em português.
Evolução do ecossistema
Desde 2019, a publicação se consolidou como referência. “O Radar funciona como um mapa vivo da inovação no campo brasileiro. Ele orienta investimentos”, disse Silvia Massruhá, presidente da Embrapa.
Se antes o foco era em dados quantitativos, hoje a publicação traz análises qualitativas. A periodicidade do levantamento é considerada fundamental para entender a evolução do ecossistema ao longo dos anos. “O próximo ciclo dependerá menos da expansão numérica e mais da qualidade das conexões”, afirmou Luiz Sakuda, da Homo Ludens. As transformações permitem entender a mudança no perfil dos investimentos.
Segundo Pedro Jábali, da SP Ventures, o ambiente para captação de recursos ficou mais desafiador. Isso exigiu resiliência dos empreendedores e foco em eficiência e rentabilidade desde os estágios iniciais.
A consolidação do levantamento rendeu uma parceria com o Iica (Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura) para a elaboração do Radar Agtech América Latina e Caribe. O estudo está em execução e deve ser lançado em junho de 2026.
Este texto foi publicado originalmente pela Embrapa em 24 de março de 2026 e adaptado para publicação pelo Poder360.
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