O TCU (Tribunal de Contas da União) aprovou nesta 5ª feira (9.abr.2026) a solução consensual para a Rota do Pequi, trecho remanescente da concessão da Concebra –concessionária do grupo Triunfo– nas BRs 060, 153 e 262. O acordo estima perdão parcial de cerca de R$ 3 bilhões em dívidas da empresa, com revisão do desconto inicialmente definido em 65%.
A decisão seguiu o voto do ministro revisor do caso, Jorge Oliveira, que argumentou que a proposta tornaria a saída da concessionária mais viável, prioridade do TCU no momento. Eis a íntegra do documento (PDF – 2 MB).
“Rejeitar o acordo significa manter o status quo, cobrança de excedente tarifário crescente, insegurança regulatória e degradação do ativo”, disse Oliveira, cujo voto foi acompanhado pelo colegiado.
Ministro critica conduta do grupo Triunfo
O ministro Walton Alencar Rodrigues votou contra a solução consensual. Disse que a holding não poderia ser contemplada pelo mecanismo por ter “padrão de conduta absolutamente reprovável” e citou 10 processos julgados ou em tramitação no TCU envolvendo concessionárias controladas pelo grupo Triunfo.
“Não se trata de casos isolados… O que os autos revelam é uma estratégia organizada de apropriação de recursos do Estado, executada em diferentes contratos, em diferentes regiões do país, ao longo de mais de uma década”, afirmou Rodrigues.
Ele recebeu apoio de outros integrantes na manifestação, mas acabou vencido pelo colegiado.
Considerações do relator sobre irregularidades
O voto vencido de Rodrigues cita processos que expõem um padrão recorrente de irregularidades envolvendo o grupo Triunfo. Entre os exemplos:
- auditoria da Ernst & Young apontou indenização de R$ 1,25 bilhão à holding, convertida em dívida de cerca de R$ 1,8 bilhão a favor da União;
- processo TC-9470, relatado por Bruno Dantas, identificou obrigações vencidas de R$ 3,5 bilhões na concessão do aeroporto de Viracopos;
- outra apuração sobre o mesmo contrato apontou prejuízo de R$ 699 milhões à Infraero;
- operação Infinita Highway, da Polícia Federal, investigou manipulação de laudos técnicos e cobrança indevida de pedágio com base em informações falsas sobre as rodovias.
Para Rodrigues, os casos revelam práticas como superfaturamento de obras, manipulação de estudos técnicos, desvio de recursos e resistência à fiscalização.
“Esses 10 processos documentam um padrão uniforme e reincidente por parte do grupo Triunfo”, afirmou.
O Poder360 não obteve resposta do grupo Triunfo até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso haja manifestação da empresa.
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