O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) aprovou, por unanimidade, o requerimento de federação entre os partidos União Brasil e Progressistas nesta 5ª feira (26.mar.2026). Os ministros seguiram o voto da relatora, Estela Aranha, que declarou que “todos os requisitos formais foram atendidos”.
A federação foi anunciada oficialmente pelas duas siglas em 29 de abril de 2025, com a publicação de um manifesto em conjunto. Eis a íntegra do documento (681 KB – PDF). Formalizaram a união em agosto de 2025 com um ato em Brasília.
A federação terá uma das maiores bancadas do Congresso. São 109 deputados federais e 15 senadores. Além disso, nos Estados e municípios, também há uma força expressiva: são 12.398 vereadores, 1.335 prefeitos, 186 deputados estaduais, 6 governadores, e 4 vice-governadores.
Assumem o comando da federação o presidente do União Brasil, Antônio de Rueda, e o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI). O presidente do União Brasil, Antônio de Rueda, assumirá o comando da federação, enquanto o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), ficará na vice-presidência.
Inicialmente, a federação também contaria com o Republicanos, partido do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). No entanto, a bancada rejeitou a aliança para os próximos 4 anos.
DISPUTAS INTERNAS
O vice-presidente do União Brasil em Pernambuco, Mendonça Filho (PE), pediu ao presidente nacional da sigla, Antonio Rueda, que cancelasse a formação da federação com o PP (Partido Progressistas).
Segundo o deputado, a indefinição sobre a criação da federação e os alinhamentos estaduais tem gerado insegurança dentro do partido, especialmente às vésperas do prazo para filiações partidárias.
“Faltam 15 dias para as filiações e há incerteza nos rumos do partido com a federação, o que gera insegurança jurídica. Não temos de ficar à mercê dessa incerteza”, afirmou.
Mendonça Filho disse que o cenário pode prejudicar a organização de candidaturas em ano eleitoral. Para ele, caso a aliança entre o partido comandado por Rueda e o PP, liderado pelo senador Ciro Nogueira (PI), avance, o ideal seria deixar a formalização da federação para 2027.
De acordo com o deputado, o modelo de federação não traria vantagens políticas imediatas para o partido.
A insatisfação também está relacionada ao cenário político em Pernambuco, base eleitoral de Mendonça. No Estado, há divisão sobre o apoio na disputa local: parte das lideranças da possível federação tende a apoiar o prefeito do Recife, João Campos (PSB), enquanto outra ala está alinhada à governadora Raquel Lyra (PSD), aliada de Mendonça Filho.
PAPEL DAS FEDERAÇÕES
As federações foram criadas pela Lei n° 14.208 de 2021. Trata-se de um modelo de união de partidos mais flexível do que uma fusão ou uma incorporação. Ainda assim, traz regras mais rígidas do que as antigas coligações proporcionais, em que legendas sem nenhuma afinidade político-ideológica se uniam exclusivamente para eleições, sem nenhum compromisso posterior.
Com a federação, os partidos precisam permanecer juntos nos 4 anos seguintes. As legendas preservam sua identidade, seus filiados e sua autonomia financeira. Mas, além de terem de atuar conjuntamente nos legislativos, elas não podem disputar entre si cargos majoritários em eleições, como nas votações para presidente, governador ou prefeito.
Esse é um dos pontos que despertam resistências internas. Enquanto os líderes nacionais miram nos fundos Partidário e Eleitoral turbinados e na potência que a federação terá no Congresso, os líderes regionais do PP e do União Brasil reclamam porque, localmente, disputam vagas majoritárias entre si.
Na prática, as federações foram criadas como uma adaptação ao fim das coligações proporcionais, que garantiam a sobrevivência de pequenos partidos diante da cláusula de desempenho, dispositivo que obriga as legendas a terem desempenhos mínimos crescentes ao longo das eleições para a Câmara dos Deputados a fim de continuar recebendo dinheiro público e tendo espaço na rádio e na TV.
O TSE tem atualmente 4 federações registradas. Uma delas une PT, PCdoB e PV. Outra é uma parceria do PSDB com o Cidadania. Há também a aliança entre Psol e Rede. A mais recente une o PRD (Partido da Renovação Democrática) e o Solidariedade.
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