Uruguai e Argentina aprovaram nesta 5ª feira (26.fev.2026) o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul. O Parlamento uruguaio foi o 1º do bloco sul-americano a finalizar a ratificação do texto. Foi seguido horas depois pelo legislativo argentino.
A Câmara do Uruguai aprovou o texto por 91 votos a 2, um dia depois do aval dado por unanimidade no Senado. A aprovação foi assinada por uma Comissão Parlamentar que havia reunido representantes dos setores produtivo e trabalhista antes da análise nas Casas legislativas.
Na Argentina, a aprovação do Senado veio com 69 votos a favor, 3 contra e nenhuma abstenção. O texto já tinha recebido sinal verde da Câmara.
O presidente Javier Milei (La Libertad Avanza, direita) havia dito que o país seria o 1º a ratificar o tratado no Mercosul. Senadores da base governista tentaram correr com a votação para superar o Uruguai, mas sem sucesso.
O Parlamento do Paraguai também deve concluir o processo de ratificação nos próximos dias. No Brasil, o acordo foi aprovado na 4ª feira (25.fev) pela Câmara dos Deputados em votação simbólica –quando não há registro nominal de votos.
O projeto já havia sido aprovado por unanimidade na Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul na 3ª feira (24.fev). O relatório, assinado pelo deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), passou à condição de projeto de decreto legislativo e seguirá para o Senado em regime de urgência.
Na Casa Alta, a relatoria ficará com a senadora Tereza Cristina (PP-MS), vice-presidente da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária). Ex-ministra da Agricultura no início das negociações, ela afirmou que defenderá mudanças nas salvaguardas comerciais previstas no acordo.
Segundo a senadora, os mecanismos podem limitar o volume de exportações do agronegócio brasileiro, especialmente de carne bovina, ao mercado europeu.
ACORDO MERCOSUL-UE
O acordo UE-Mercosul foi assinado em 17 janeiro no Paraguai. Para entrar em vigor, precisa ser aprovado internamente pelos legislativos de cada país do bloco sul-americano. O mesmo vale para a União Europeia, onde o Parlamento Europeu aprovou o envio do texto para o Tribunal de Justiça da UE, medida que pode atrasar a implementação do acordo por até 2 anos.
O tratado estabelece uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, ao integrar cerca de 780 milhões de consumidores e responder por aproximadamente 25% do PIB (Produto Interno Bruto) global. Com a assinatura, os blocos assumiram o compromisso de reduzir gradualmente tarifas de importação sobre a maioria dos produtos comercializados bilateralmente.
O Brasil exportou US$ 49,8 bilhões à União Europeia em 2025, alta de 3,2% em relação a 2024. As importações somaram US$ 50,3 bilhões no mesmo período, crescimento de 6,4% em 1 ano.
O processo enfrentou resistências em alguns países do bloco europeu, sobretudo de setores agrícolas e de partidos políticos que temem a concorrência de produtos sul-americanos e questionam impactos ambientais e sociais. O Brasil superou os Estados Unidos e se tornou o maior produtor de carne bovina e de vitela do mundo em 2025.
Governos como o da França defenderam o adiamento da votação do tratado no Parlamento Europeu. O debate sobre salvaguardas para proteger agricultores europeus seguiu em paralelo às negociações principais.
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