O presidente da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), senador Carlos Viana (Podemos-MG), disse nesta 5ª feira (26.fev.2026), que recorrerá ao STF (Supremo Tribunal Federal) caso a mesa diretora do Senado reverta a aprovação da quebra de sigilos fiscais, bancários e telemáticos de Fábio Luís Lula da Silva. Conhecido como Lulinha, ele é o filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Viana, porém, acredita que a decisão não será revertida.
“Espero que o presidente do Senado ouça os dois lados, especialmente porque tenho muita tranquilidade que o regimento da casa foi cumprido e de que nós temos todas as condições para dar sequência aos requerimentos”, afirmou à imprensa. “Há quase um mês, tento falar com o presidente sobre a prorrogação da CPMI e ainda não tivemos nenhuma resposta efetiva sobre esse assunto. Vai ser uma conversa muito boa. Eu e o David temos um ótimo relacionamento”.
A medida foi aprovada de maneira simbólica –quando a votação não é nominal– pela comissão na manhã desta 5ª feira (26.fev), em derrota para a base governista, que havia se articulado para derrubar o requerimento. A contagem dos votos gerou divergência, houve um empurra-empurra e a sessão foi suspensa.
O PT disse que recorrerá ao presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para anular a decisão. A base governista argumenta que, no momento da votação em bloco dos requerimentos estavam presentes apenas 21 senadores e deputados, dos quais, 14 teriam votado pela rejeição, ou seja, a maioria.
Viana, porém, foi taxativo: “Para que a pauta fosse derrubada em bloco, era necessário que o governo apresentasse a maioria dos votos ou 16 parlamentares presentes, de acordo com o painel de 31. Apresentaram, e eu contei duas vezes, 7 votos contrários, portanto, a pauta está aprovada na sua integralidade”, afirmou.
Segundo imagens da TV Senado, votaram contra os requerimentos os senadores Soraya Thronicke (Podemos-MS), Randolfe Rodrigues (PT-AP), Jussara Lima (PSD-PI), Jaques Wagner (PT-BA), Teresa Leitão (PT-PE), e os deputados Damião Feliciano (União Brasil-PB), Átila Lira (PP-PI), Cleber Verde (MDB-MA), Orlando Silva (PCdoB-SP), Romero Rodrigues (Podemos-PB), Paulo Pimenta (PT-RS), Alencar Santana (PT-SP), Neto Carlleto (Avante-BA) e Rogério Correia (PT-MG).
Aos jornalistas, Viana admitiu que as imagens mostram 14 congressistas, mas argumentou que, “possivelmente, se levantaram depois”.
“Na hora que eu contei, contei duas vezes, tinham 7 parlamentares de pé. Se não entenderam, lamento, mas não havia votos suficientes. Nem se fossem 14 votos, o governo ganharia”, afirmou. “Secretaria da mesa foi quem me orientou em tudo. Eu não faço nada da minha cabeça. Eu faço de acordo com o que está no regimento”.

A sessão foi suspensa por volta das 13h. Congressistas que votaram contra o requerimento se dirigiram então à residência do senador Davi Alcolumbre para tratar do caso.
Ao Poder360, disseram que Alcolumbre não se manifestou sobre a confusão na CPMI do INSS e apenas solicitou, por escrito, a leitura do recurso.
O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) também disse que entrará com uma representação no Conselho de Ética do Senado contra o senador Carlos Viana (Podemos-MG), a quem acusa de fraudar a contagem na votação simbólica que resultou na aprovação dos requerimentos.
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