A Vibra Energia, distribuidora privada de combustíveis que sucedeu a estatal BR Distribuidora, determinou um reajuste de 54,63% no querosene de aviação. A empresa comunicou a medida aos operadores de táxi-aéreo na 6ª feira (27.mar.2026) e o reajuste entra em vigor na 3ª feira (1º.abr.2026).
Segundo informações da Aeronin, a alta do petróleo no mercado internacional motivou o reajuste. Ataques dos Estados Unidos e de Israel no Irã causaram o fechamento parcial do estreito de Ormuz, o que levou o barril de petróleo a ultrapassar US$100.
O querosene de aviação abastece aeronaves turboélices, jatos e helicópteros turboeixo. A gasolina de aviação alimenta aeronaves com motores a pistão. Os 2 combustíveis de aviação seguem paridade internacional.
A Vibra Energia foi transferida para a gestão privada em 2021, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em seus discursos recentes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem culpado a privatização da BR Distribuidora pela alta nos preços dos combustíveis no país. Segundo ele, sem uma distribuidora sob controle estatal, o governo perdeu capacidade de conter o repasse da alta do petróleo ao consumidor.
A bancada do PT já iniciou articulações para criar a Frente Parlamentar pela reestatização, sob o comando do líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC). Congressistas de blocos aliados ao governo federal, como a Federação Psol-Rede e a federação Brasil da Esperança (PT, PC do B e PV), estão dispostos a apoiar a iniciativa. A expectativa do grupo era conseguir as assinaturas suficientes para instalar o colegiado até 24 de março, mas o objetivo não pôde ser cumprido.
REESTATIZAÇÃO
A reestatização da BR Distribuidora dependeria, em 1º lugar da decisão política do governo federal e poderia ser conduzida pela Petrobras, conforme as regras de governança da companhia.
Como a estatal vendeu toda a sua participação na distribuidora em 2021, o controle acionário hoje está pulverizado entre investidores privados.
Para retomar o comando, seria necessário adquirir uma fatia majoritária, possivelmente por meio de uma oferta pública de aquisição (OPA).
A depender do modelo, a operação pode exigir aval do Congresso e teria de seguir regras do mercado financeiro, com análise de órgãos como a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e, eventualmente, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).
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