A Agriodor transformou cheiro em negócio, e agora quer colocar o Brasil no centro do seu plano de expansão.
A startup francesa, que desenvolveu uma tecnologia de aromas naturais para biocontrole de pragas, acabou de captar 15 milhões de euros (cerca de R$ 88 milhões pela cotação atual), em uma rodada do tipo série A, e mira o País como um de seus principais vetores para crescer fora da Europa.
“Olhando para o futuro, focamos em dois países-chave no nosso planejamento estratégico. Na Europa, é a Espanha, um mercado enorme, maior que o mercado francês. E fora da Europa, focamos no Brasil porque é um outro mercado enorme, e apesar de difícil, há muita demanda”, disse o presidente e cofundador da Agriodor, Alain Thibault.
Hoje, a operação da companhia ainda está concentrada especialmente na França, onde seu primeiro produto já é comercializado, em parceria com a Syngenta, para o controle de pulgões na beterraba sacarina. No Brasil, a empresa ainda não tem atividade comercial, apenas iniciativas de pesquisa e prospecção.
A empresa surgiu em 2019 quando Thibault, um investidor serial, conheceu a pesquisadora Ené Leppik, que atuava no Inrae (Institut National de Recherche pour l’agriculture, l’alimentation et l’environnement), instituto nacional de pesquisa da França, referência global em agricultura.
Leppik contou que o encontro aconteceu quando ela fazia seu pós-doutorado desenvolvendo ferramentas para complementar inseticidas na proteção de cultivos. “Ao invés de apenas matar insetos, poderíamos controlar melhor as populações”, explicou.
Sentindo a vontade de levar com mais intensidade a pesquisa para o campo de fato, mas sem nenhum conhecimento do mundo dos negócios, ela firmou a sociedade com Thibault e, juntos, conduziram uma série de testes em 2019. Os bons resultados vieram e a operação começou a ganhar tração.
“Éramos eu, Alain e outro pós-doutor. Hoje somos cerca de 42 pessoas, um laboratório independente e temos produtos no mercado. Uma empresa de tecnologia que agora mira expansão internacional”, acrescentou a cofundadora, que atua como CTO no negócio.
O modelo de negócio da empresa é baseado no codesenvolvimento. A Agriodor desenvolve a tecnologia junto a algum parceiro – uma multinacional ou instituto de pesquisa – e chega ao mercado com apoio de alguma empresa.
Foi esse o modelo adotado no primeiro produto comercial da empresa na Europa, junto à Syngenta, que ajuda a combater o vírus do amarelecimento nas beterrabas.
Atualmente, a Agriodor está expandindo seu portfólio para novas culturas e famílias de insetos, como moscas-das-frutas, moscas-brancas e tripes.
A base científica reproduz aromas naturais de plantas e as combina com outras formulações, essas adaptadas a diferentes sistemas de cultivo ao redor do mundo. Com isso, a Agriodor oferece um produto que atrai, repele ou interrompe o crescimento de insetos-praga para controlar suas populações.
Segundo a startup, esse tipo de abordagem possibilita lançar produtos no mercado com custos de desenvolvimento até 10 vezes menores e prazos duas vezes mais rápidos que inseticidas convencionais.
No Brasil, a ideia é começar a dar os primeiros passos no mercado em culturas de hortaliças e frutas. “Como as mesmas pragas estão nos grãos, também podemos entrar, mas isso deve acontecer quando tivermos mais participação de mercado e mais conhecimento”, disse Leppik.
“O retorno sobre o investimento para o agricultor é algo crucial e nós, como uma empresa jovem, acreditamos que é arriscado ir direto para as culturas agrícolas tradicionais”, prosseguiu. A CTO também vê com bons olhos o mercado de flores.
A ideia comercial aqui é a mesma vista na Europa: achar um parceiro comercial, seja um grande player de insumos local ou uma multinacional que opere por aqui. Nos últimos meses, a Agriodor já tem tateado o Brasil e os fundadores citam que atualmente possuem uma parceria de desenvolvimento junto da Esalq/USP.
Alain Thibault citou que parte da equipe esteve no País há pouco tempo para conversas com essas empresas na missão de entender as demandas na área de controle de pragas.” O Brasil é muito diferente da França. A maneira de pensar, de fazer negócios, as regras, os processos regulatórios e assim por diante”, comentou.
“Não podemos simplesmente pegar os produtos europeus e transferi-los para o Brasil, porque as apostas são diferentes, e as práticas agrícolas também”.
Na Europa, para além da Espanha, a expansão tem acontecido em países como Alemanha, Bélgica e Reino Unido, assim como outros países do norte do continente.
Antes da rodada Série-A, a empresa havia captado 5 milhões de euros em 2023 numa rodada seed. A rodada atual foi liderada pelo Fundo Revolução Ambiental e Solidária, financiado pelo dividendo social do Crédit Mutuel Alliance Fédérale e gerido pelo Crédit Mutuel Impact e que investe em teses de transição climática e ambiental. Criado em 2023, a meta é atingir 1,5 bilhão de euros em investimentos nos próximos anos.
Além dele, os fundos franceses Région Sud Investissement e CAAP Création (Crédit Agricole Alpes-Provence), juntamente com os investidores históricos Capagro, Ambra Capital e SWEN Capital Partners, também participaram da rodada.
O release oficial cita que o financiamento “apoiará o desenvolvimento da plataforma tecnológica da empresa e seus programas de pesquisa e desenvolvimento, bem como a expansão internacional das soluções da Agriodor”.
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