Em um cenário de grande atenção pública sobre o comportamento de ministros do Supremo Tribunal Federal, em episódios como o do Banco Master e de relatos de divisões internas na Corte, a ministra Cármen Lúcia reconheceu a tensão vivida pelo tribunal. Sem falar em nome de todo o colegiado, ela fez questão de defender a própria lisura.
“Da minha parte, digo: podem dormir tranquilos. Não há uma linha minha que esteja fora da lei”, declarou a magistrada nesta 2ª feira (13.abr.2026), durante palestra na Fundação FHC, no centro de São Paulo. “Eu não faço nada errado. Tenho ciência da tensão que vivemos”, completou.
Cármen Lúcia avaliou que o Brasil atravessa um momento de desconfiança generalizada, o que justifica, em parte, a crise de imagem do tribunal. Para a ministra, o STF precisa mostrar à população que está ali para servir e deve prezar pela máxima transparência, especialmente em relação às ações dos magistrados fora de Brasília.
TRANSPARÊNCIA E ATAQUES
A ministra defendeu que é saudável que os juízes deixem seus gabinetes para ouvir a sociedade, mas cobrou prestação de contas. “Tem que saber como sair, para onde ir e como tornar isso transparente. Todo mundo sabe, no Brasil hoje, que eu estou aqui agora de manhã. Minhas agendas são públicas”, pontuou.
Cármen Lúcia reconheceu que a dinâmica atual tornou a vida no tribunal “mais tensa e muito mais difícil”. Ela relatou que tem sido alvo constante de “críticas ácidas” e discursos de cunho “sexista, machista e desmoralizante”, revelando que familiares já chegaram a sugerir que ela abandonasse a cadeira no STF.
Nesses momentos de pressão, diz repetir para si mesma: “Cármen, lembra, você faz direito, não milagres”.
DEMANDAS INÉDITAS
Durante o evento –que teve a mediação do ex-ministro Celso Lafer, do professor Oscar Vilhena e do cientista político Sergio Fausto, presidente da Fundação FHC–, a ministra foi questionada sobre sugestões de reformas para o STF elaboradas por especialistas.
Ela ponderou que algumas propostas podem esbarrar na realidade interna da Corte, marcada pelo excesso de demandas e pela chegada de questões inéditas, muitas impulsionadas pelas redes sociais. “Cada manhã nós temos uma indagação nunca feita antes na história da humanidade”, explicou.
Ao finalizar, Cármen Lúcia fez uma breve defesa institucional da chefia do tribunal: “Sei o que é estar na presidência tentando acertar. Não é simples. Não tem facilidade nenhuma”.
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