ÁLBUM DE ZÉ MIGUEL RETRATA ANCESTRALIDADE QUILOMBOLA NO AMAPÁ

Cantor e compositor amapaense contou com a participação de outros cinco artistas na produção das canções. Álbum está disponível nas plataformas digitais. Projeto de Zé Miguel é voltado para música e autoafirmação do povo negro.

ÁLBUM DE ZÉ MIGUEL RETRATA ANCESTRALIDADE QUILOMBOLA NO AMAPÁ

MACAPÁ - O resgate às raízes africanas e a inspiração na própria trajetória pessoal conduziu o cantor e compositor amapaense Zé Miguel a uma jornada de autoconhecimento para a criação do seu mais novo trabalho, intitulado "Quilombola".

O disco com 10 músicas inéditas foi lançado na quarta-feira (22) e retrata nas letras das canções a busca pela autoafirmação e o aprendizado pessoal de pessoas negras, além de ser um apelo para que eles não "neguem suas origens".

Os tambores, maracás, ganzás e até o berimbau fizeram parte dos elementos utilizados para compor o universo das canções.

"Eu sou originário da comunidade quilombola do Mel da Pedreira e já vinha pensando em fazer algo falando sobre isso. Minha esposa me deu a sugestão de fazer um álbum e aceitei a ideia dela, pois algumas músicas já estavam escritas, todas falando sobre essa questão do preconceito", explicou o cantor Zé Miguel sobre o projeto.

A obra, que também é um manifesto da cultura negra, contou com a participação dos artistas Marília Abduani, que escreveu o poema "Nossa história", musicalizado por Zé Miguel para o disco; Cacá Farias, Rambolde Campos, Joãozinho Gomes e Adelson Preto.

"Esse disco é um grito contra o preconceito e a discriminação racial. É um grito em favor do tratamento igualitário entre as pessoas", comenta Zé.

O álbum com 10 músicas autorais foi lançado nas plataformas digitais e ainda não tem previsão para o lançamento de uma versão física. A música que dá nome ao disco fala sobre "marcas na alma" de dores causadas pelo racismo.

O projeto foi viabilizado com recursos próprios do artistas e R$ 10 mil da Lei 14.017/Aldir Blanc de fomento ao audiovisual.

Zé Miguel produziu o álbum "Quilombola" com financiamento do edital da Lei Aldir Blanc

Acervo pessoal

Foram meses de criação até a finalização da canção "Quilombola", que já estava em andamento antes da premiação do edital.

"A inspiração do projeto foi a luta do povo afrodescendente no Brasil e a desigualdade social gritante, que mantêm os homens e mulheres pretas com pouco acesso às oportunidades", finaliza.