Uma operação marcada por desafios logísticos e importância científica mobilizou pesquisadores do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa) no resgate dos ossos de uma baleia-sei de aproximadamente 16 metros. O animal havia encalhado na Ilha das Pacas, no município de Chaves, no Pará, em novembro de 2025.
A ação ocorreu entre os dias 10 e 13 e faz parte do Projeto de Caracterização e Monitoramento de Cetáceos (PCMC), coordenado pelo Iepa. Além da equipe técnica, o trabalho contou com o apoio do barqueiro Alcindo Farias, conhecido como Chinoá, e do especialista em osteomontagem Antônio Carlos Amâncio, que já possui experiência na montagem de esqueletos de grandes animais marinhos.
O resgate não foi simples. A região onde a baleia encalhou é de difícil acesso, marcada por lama intensa e condições climáticas adversas. Segundo Antônio Carlos Amâncio, a equipe enfrentou chuva constante e terreno instável para retirar o material.
“A gente conseguiu tirar o animal de um buraco muito complicado, uma situação difícil com muita chuva e muita lama”, relatou.
Após a retirada, os ossos passaram por análise detalhada. Inicialmente, os pesquisadores acreditavam que se tratava de uma baleia-fin, mas a avaliação osteológica confirmou que o animal era, na verdade, uma baleia-sei — espécie ainda pouco estudada na região amazônica.
Para a coordenadora do projeto, Claudia Funi, o resgate representa um avanço significativo para a pesquisa científica no estado.
“Esses ossos servem de estudos para maior conhecimento da espécie. Qualquer pessoa pode acessá-los e realizar pesquisas. Isso enriquece o acervo científico do estado”, destacou.
O material será encaminhado para o acervo do Iepa, em Macapá, onde ficará disponível para estudos acadêmicos e científicos.
Apesar de coordenado no Amapá, o PCMC atua em toda a faixa costeira do norte do Brasil, incluindo áreas da Foz do Rio Amazonas e das bacias Pará-Maranhão. Segundo a coordenação, a escolha da base em Macapá se dá por questões logísticas e geográficas.
“De Macapá conseguimos acessar de forma mais rápida e segura as ilhas da Foz do Amazonas. O projeto considera limites naturais, não apenas territoriais”, explicou Claudia.
Moradores da Ilha das Pacas encontraram a baleia ainda viva no início de novembro de 2025. De acordo com relatos, o animal tentou retornar ao mar, mas acabou ficando preso na área lamacenta. Duas embarcações foram utilizadas na tentativa de deslocamento até um local adequado, onde posteriormente ocorreu o processo de decomposição controlada para viabilizar o resgate ósseo.
Criado em 2024, o Projeto de Caracterização e Monitoramento de Cetáceos surgiu como exigência do Ibama durante o licenciamento ambiental de pesquisas marítimas realizadas pela empresa TGS. Desde então, o programa atua no monitoramento de praias para atendimento a encalhes de baleias, botos e golfinhos, além de promover ações de educação ambiental em comunidades costeiras.
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